quinta-feira, 12 de outubro de 2017

poeminha cego

sem palavras
para onde iremos quando
o caminho estreitar?
e o que o tempo quer de mim
que tantas voltas dá no mesmo lugar?
ou será que eu só enxergo
a parte que me cabe enxergar?
eu, você e esse luar
você só pra mim nesse lugar
e o silêncio?
ah o silêncio...
é aprender a escutar

*

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Semente de Moringa

(semente de Moringa - imagem do Mercado Livre)

ultimamente o tempo tem me dito 
para te oferecer uma semente de Moringa
sabe a vida deixa de pesar nos ombros
e é possível fluir
deixar tudo ser o que é, o que são, o que somos
para ser também junto inteiramente ainda incompleto
e é assim que somos juntos
te convido a experimentar
uma semente de Moringa
da árvore da vida na barriga


*tem no Mercado Livre e não eu não vendo, só recomendo (é só procurar)

Um cheiro!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Da inútil fuga

eu peco pelo excesso de palavras
mas aprendi a abominar o silêncio 
desde cedo
não vou com a cara daquele filho da mãe 
silêncio o caramba
tudo menos aquele imbecil
que não sabe falar
que me fita descarado, tarado
não sabe falar não nem sim nem talvez
vai olhar a mãe 
para de me encher o saco
vai ver se eu tô na esquina
e ele ali continua intacto
como se fosse o dono do mundo
eu não aprendi a escutar esse fdp
mistério então nem morta
vai fazer suspense pra tua mãe
duplo sinal? tô fora!
indireta? Vai passear!
preciso de barulho
e olha ele aí de novo
como se fosse dono do pedaço
entra onde não é convidado
e encerra esse poema
o filho da mãe
...


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Poema da rosa em prosa

201º Desafio Poético com Imagens Tânia Regina Contreiras - IV Ano: 

Poema da rosa em prosa

rosa em prosa
cai a noite e entrosa
no fogo, na chama
a labareda inflama
despetala, alquimia
gama em poesia
rosa do peito
versa sem jeito
rosa em brasa
rosa incendiada
arde em chamas
lava a estrada
no fogo da madrugada
lava e gama
naquele que te ama


sábado, 30 de setembro de 2017

Poema para preencher algum vazio

não que eu seja alguém
e essas palavras possam significar algo
ou quem sabe preencher algum vazio
caído já no esquecimento de qualquer abismo
mas tu sabes da minha ternura
já te disse muitas vezes
e infelizmente essa ainda me consome
desde acordada até a hora de dormir
por ti meu mundo gira
ultimamente não tenho te dito muito
o silêncio tem sido meu cobertor
as palavras tem sido escassas
mas estou sempre aqui sem que me vejas
sem que me saibas
em silêncio te amo
sempre que posso mando-te um pedaço de mim 
para cobrir-te nas noites frias 
ainda que seja insuficiente
é tudo que tenho para te oferecer
meu coração despedaçado 
não me permite te perder
ainda que eu nunca tenha te encontrado
ainda que nunca tenhas me amado


*

Poema a sorrir para a morte



estive a pensar na necessária distância 
daquilo que quer se separar de nós
e apesar de não querermos essa separação 
de nos agarrarmos ao vazio, ao inútil, ao nada
é preciso deixa-lo ir de tempos em tempos
e de tempos em tempos nos despedir
ainda que as palavras não se bastem
para comunicar o intraduzível 
e nossa presença já não resulte algo 
qualquer palavra obsoleta cairá no vazio
já ninguém escuta a vibração do silêncio 
as vezes nem mesmo a ausência 
nos fará escutar aquele que se foi
há dias que nem mesmo nos escutamos
como quando a música deixa de tocar 
nossos obsoletos corações 
como quando qualquer poema deixa de nos tocar
como quando temos a certeza da morte
que ela já nos bate na porta
e a qualquer momento pode nos levar
como quando se ri 
daquele que quer nos matar sem piedade
um riso leve, solto, inútil
e o mundo continua a girar



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Poema da menina sem face

200º Desafio Poético com Imagens da Tânia Contreiras - IV Ano 
 Arte: Susana Blasco 

 Poema da menina sem face 

quando tiraram minha face 
e penduraram minhas as fotografias nas paredes
olhos, ouvidos, boca, seios, coxas, bunda
fragmentaram-me em pedaços suspensos no ar 
foi então que descobri: 
nada disso me define, nada disso sou
e ser é muito mais além
foi a partir desse dia que sem face andei por aí 
sorrio não na boca, não nos lábios 
mas durante o meu caminhar 
passo após passo além 
choro quando 
inconsciente estou 
além sou


*

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Poema nadificado



a abraçar a inutilidade das coisas 
ser tão inútil como tenho sido 
a cantar com os passarinhos 
e não fazer diferença nenhuma 
a não me importar absolutamente 
nessas coisas sem destino 
destinadas a não serem
jogo-as ao vento 
das coisas sem conserto 
como esse coração despedaçado 
nesse grande nada a nos envolver 
em eterno delírio 
delírio de uma dança de nadas em nadas 
das quinquilharias a sorrirem 
esses indecifráveis vazios 
que nem a borracha saberá desdizer


*


Escrito para o desafio do grupo Delírios Poesia e Arte cujo tema é "Inutilidades, quinquilharias e vários nadas".


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Poema para Carmen Silvia Presotto

(Carmen Silvia Presotto)

Poema para Carmen Silvia Pressotto

a vida é fio tênue de esperança
a morte logo nos bate a porta assim tão de repente
e para outra dimensão vamos
caminhar, poemar, trabalhar,
a brincar de amar os diversos caminhos
que a vida, a morte, a infinitude nos apresenta
a morte do corpo não é a morte da alma
que a luz te guie sempre poeta
e que a tua poesia nos guie agora
sob a escuridão te leio
te lerei sempre!
Evoé!

que tua poesia faça morada em nós
e todos os pássaros versados em vida
te acompanhem sempre
revoem teu ser da luz que é
Evoé!*

*expressão dita sempre pela poeta 

sábado, 9 de setembro de 2017

Poema de cansaço e silêncio

199º DESAFIO POÉTICO COM IMAGENS - ANO IV:

balança ali o passado
a sombra da infância 
esquece de esquecer
o que não aprendes a recordar
nessa lembrança que atravessa
a espinha de silêncio 
desse silêncio que não sabes amar
dessa ausência desmentida
ao limite do cansaço
um silêncio cheio de mistério 
um mistério cheio de cansaço 
um cansaço cheio de nuances
das nuances sem sorrisos
prefiro esquecer a recordar
o quanto esqueci
e por esquecer a rememorar me perdi
já não tenho vontade de dizer
e por isso chegou a hora de me calar
as palavras nos traem a verdade
essa mesma que vibra ao redor de tudo
não me é suposto dizer
daquilo que não sei amar
por isso agora só o silêncio 
pois só o silêncio nos guiará

Geren

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Mario Quintana

"Do bem e do mal 

Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos. 
Não há coisa na vida inteiramente má. 
Tu dizes que a verdade produz frutos... 
Já viste as flores que a mentira dá? "

Mario Quintana



"Da Perfeição da Vida 

Por que prender a vida em conceitos e normas? 
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer... 
Tudo, afinal, são formas 
E não degraus do Ser! "

Mario Quintana


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Miguel Torga



Sísifo



Recomeça....

Se puderes

Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.




E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Poema de raízes (para todos aqueles que sangram)



já tentaram cortar as minhas raízes
e sim eu sangrei na solidão que me despia
já me arrancaram a infância
e sim hoje sou criança
já partiram meu coração e o pisaram 
e sim foi dando risada em voz alta
que já tiraram boa parte de mim
mas eu sobrevivi e cá estou
minhas raízes me sustentam 
e eu vôo quando não aguento



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poema de sangue em despedida

despeço o tempo do tempo
um convite já não adianta
a ferida aberta sangra
já se foi tempo demais 
feridas demais
hoje não te darei esperanças 
o meu desesperar canta
nosso sangue dança pela estrada
funde no tempo que se foi
junto com um tempo que nunca será
através do tempo que está
lacrimeja o tempo sem tempo
na gota da nossa infinitude
cante todas as músicas mesmo assim
e jamais pare amor
para que um dia depois de tanto cantar
alguém te escute
e como um beijo
alguém possa te amar e se perder
e que de tanto amor
o sol possa nascer

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mistério ante mistério

mistério ante mistério 
a poesia jorra fétida
do esgoto molha o asfalto
declama o verso que respinga
chuva que derrama
na cidade que incendeia
toda luz que finda
sua breve despedida
arde o encontro 
ao se desencontrar
que ao cantar silencia
e ao escrever apaga
toda lembrança que trança 
nesse vai e vem a dançar
e reatinge outro tempo
no sem tempo
de quem tece 
seu olhar

Foto: O silêncio canta seus mistérios. Escutas? XIX lado A
 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A sabedoria do foda-se




Porque é o cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo...


Esperar o negócio cair na sua cabeça sem ir atrás. É o cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo do cúmulo...tá ligado? Se foi atrás e não deu certo meu se liga e QUE SE FODA! Quem ama demonstra e se não ama QUE SE FODA!! Sabedoria power do FODA-SE! Aprendi muito tarde, devia ter aprendido já ao nascer pra não perder tempo com...FODA-SE! Tá ligado?


❤️😘

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pouco de Drummond


(Estudo da Natureza para delirar uma pintura 
Luiza Maciel Nogueira)


Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A poesia salva?


193º Desafio de imagens da poeta Tânia Contreiras

A poesia salva?

A poesia salva?

A poesia é sal de mar 
a ondular na boca.
É o pó que me deixa louca.
É purpurina que acende 
a beleza daquilo que passa.
É pássaro que voa 
no coração que perdoa.
E deixa passar 
a fumaça da lágrima 
a sorrir no ar.
É rastro de amor que goteja.
E leve o sol, o raio, a luz
que acende na escuridão 
que transcende.
A poesia salva a esperança.
É ela que espera toda a dança
das palavras incendiarem 
lembranças...
Três pontinhos de ilusão...
poesia é silêncio que se germina
na lágrima que não se quer
derramar...

*


sábado, 5 de agosto de 2017

Poema do ovo na gaiola

192o Desafio poético com imagens da poeta Tânia Contreiras!

A imagem é uma pintura de Rene Magritte.


um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

nascemos em uma prisão

ninguém nos salva dessa gaiola

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da gaiola

é sonhar a liberdade

com uma porta aberta

para outra gaiola ir

ou imaginar que vamos 

para outras gaiolas

sem sabermos presos 

estamos dentro da mesma gaiola

aquela mesma que nascemos

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da mesma gaiola

e embora tentemos 

não é possível enfeitar a dor

de ser sempre um ovo 

preso dentro de sua íntima gaiola


Luiza Maciel Nogueira


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poema para delirar

Estudo da Natureza para delirar uma pintura V
Luíza Maciel Nogueira

já perdi as contas das tantas vezes 
que tentei te delirar versos 
das infinitudes que nos cercam
ainda hoje não sei se sabes
mas o mundo é muito maior
do que podemos imaginar
é muito pouco ainda aquilo que te digo
por isso só silencio quando não mais existir
o tempo é demasiado curto
para silêncios meu bem
eu quero um dia chegar pelo menos perto 
de delirar uma árvore inteira
ainda é demasiado pouco 
o que tenho para te ofertar
o mundo é muito maior 
do que podemos imaginar

Luiza Maciel Nogueira



Poema de muita educação

 
Foto: Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

certas notícias surgem a preto e branco
violências, assassinatos, injustiças e tanta tanta corrupção
é PM, judiciário, governo, eu, você e o universo inteiro
ninguém escapa dessa podridão
e fede entre aqueles que tentam a todo custo
se esconder atrás da negação
“eu não roubei nada só peguei emprestado,
afinal todos pegam só peguei por educação.”
e a história continua a Maria que vai com a outra Maria
que repete a educação da outra Maria
só por educação...

*

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Poema para dançar por aí

Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

a cada vez que o vento com as folhas 
sussurram seu canto
um rio quer me cair na face
como chuva pingo a pingo
eu sinto aquele tempo 
onde os segundos deliravam com o vento
e os pássaros alucinavam suas canções 
ainda no tempo de brotar ternuras no ar
de prometer loucuras que nunca se faz
de arder de sonhos perdidos na praça 
das impossibilidades que todo poema jorra
nesses silêncios que já se foram
e que estão sempre por aí

(nessa dança de tanta 
toda infinitude)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Poema do canto da dança nos olhos

as folhas ao caírem da arvore
compõem a dança da poesia
em movimento
as crianças ao redor brincam
os pássaros voam
a infinitude canta logo ali
e também nos teus olhos 
canta a infinitude

 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Poema para o mapa dos teus olhos

Quando tiver desaparecido do mapa dos teus olhos 
talvez já esteja no país do teu coração...

assim meu amor
as coisas que desaparecem 
nos habitam em outros espaços 
quando não mais te chamar
quando já estiver distante demais
cansada demais, 
para dizer qualquer palavra 
quando me deixares ir 
caso nunca mais nos encontremos
saberás que estarei em outros espaços 
às vezes é preciso deixar ir as impossibilidades
sorver novos perfumes, caçar novas idéias
deixar a poeira acalmar, 
abandonar algumas certezas
abrir novos pontos de interrogações
não é suposto entender o porque das coisas
vivemos para sorver das infinitudes no vazio
para contemplar o tempo que se vai
nesse instante que escolhemos parir
aquele pedaço de esperança em outros cantos
inimagináveis doçuras nos aguardam
assim é possível que um dia 
eu já esteja na tua infinitude
sem perceberes
pois em mim já habitas desde o início
todo o silêncio 
e os poemas, as músicas, os gritos 
estes são aqueles silêncios 
que formaram teus sons 

08/07/2017

Poema de fogo nos lábios

Desafio do cotidiano
Tema: quando os meus lábios pegaram fogo

quando os meus lábios pegaram fogo
e incendiaram as nossas peles
juntos nesse vendaval de labaredas 
na dança dos vagalumes no corpo
fagulhas a desabrochar ternuras
sob nossas mãos 
quando a rubra pétala cair
e de tanta solidão sorrir
teremos nos perdido para sempre
em nós

 

Poema da fresta que me resta

Desafio com imagens proposto por Tania Contreiras

a fresta que me resta
mesmo essa que não presta
é ela que me faz
ir atrás dessa tão ilusória paz
no caos que germino
sob a parede que me destes
soletro silêncios 
do outro lado nada se escuta
além desse querer se ir
sem se ir
Indo

pois então vá
desbrave o horizonte
salte de paraquedas
seja criança e vá se divertir
ir-se é o destino do tempo
que gira 
então gire
fique tonto, caia, 
levante menino

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ZZZ





Quando o cansaço chega e só dá vontade de dormir ou se fingir de morto.


ZZZ

...


modo recarregar