domingo, 25 de junho de 2017

Poema de toda, tanta

de toda, tanta beleza presente
o mar soube como sempre
nos encantar com seus brilhos
a nos afagar com suas águas 
no toque da pele
os barcos deslizavam melodias
e era a infinitude que nos beijava
o sol nascia no início do traço 
rasgavam as sombras ao meio
e a verdade se via discreta
nenhuma ilusão nos tinha
as coisas se eram, nós estávamos
prenhes de ternura
dessa vez era a simplicidade 
que nos abraçava 
e nos cantava bem baixinho
o nosso desesperar
os barcos se iam 
acenavam uma nova viagem

a vida tem dessas coisas 
de nos trazer encantos
entre tantos entretantos 
tanto enquanto nascer
quando a coisa nos toma
e nos mostra seu vazio
quando o ser emerge da coisa
e o sonho se vê


Arte: Claude Monet
"nascer do sol"


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Poema dos deslimites dos lábios

Arte: Salvador Dali
Sofá Lábios de Mae West


sentada nos lábios do outro
fui palavra cuspida na boca
poema na pele, verso sem tato, irado
horizonte sem estrada, estrada deserta
fui paciência sem limite
impaciente demais para limitar 
os deslimites da língua do sofá
revoam os pássaros dentro da garganta do tempo
nasce o vôo delinqüente deste samba sorridente
no chororô da ignorância nasce um sonho, uma esperança
sentei nos lábios da poesia e ela me cuspiu alegria
e quando sentaram nos meus lábios
sorvi um fado risonho, pimpolho, enfadonho
piolho que foi ser gente
gente que quer ser outro tipo de coisa
coisa que não quer ser
ser que viram a coisa
coisa que se viu
e se apavorou consigo
com si que sigo


*

terça-feira, 20 de junho de 2017

Poema dos Mundos, das esferas em eras, dos sistemas solares, milhares

Arte - Salvador Dali 
Galetea das Esferas

mundos tantos vários
obtusos absurdos
esferas em feras em eras
sistemas solares milhares 
luares, pilares circulares
lares, olhares, pomares milenares
galáxias, universos, infinitos
fito dois palitos em ritos ditos não ditos
atritos estritos
fragmentos construtos
insultos impactos
nefastos despertos
abruptos repletos

e se cada palavra fosse infinita?
singela destreza eis a comida na mesa
palavra sensória, palavra escória
palavra da pré-história
palavra, palavra, palavra
bom apetite!

é o mundo que se alimenta de mundos
a palavra que se alimenta do sentido
sentido na veia do dito, não dito
silenciado, perdido
se faz ou não faz sentido?
o leitor distorcerá à sua própria causa
ao seu próprio mundo dentro dos seus mundos
infinitos finitos 
alargados, aprisionados
feios, bonitos
luzidios, sombrios
eis o chamado do escritor:
multiplicai o sentido!
dance a sua maneira o sentido
e se não fez que não faça
é sem sentido que a vida se basta!


*


domingo, 18 de junho de 2017

Das viagens da mente

Arte: Salvador Dali
 

procurei subir todos os degraus
mas farta de subir 
sem encontrar-me desisti 
na metade do percurso cai
visitei o chão que de tão duro
se tornou macio
se eram nuvens cai de novo
dessa vez a queda foi fatal
mergulhei num oceano 
desses que te puxam para baixo
nas profundezas desse mar
descobri meu desesperar
tubarões, polvos e monstros marinhos
de repente alguém me pescava
e sem peixe ser fui fisgada
no canto de um barco
era a ternura que me chamava
no barco não tinha pescador
fui peixe, fui pescadora, fui pássaro,
e atirei em mim mesma 
no momento exato do voo lá no alto
desfaleci 
certos cortes não param de sangrar
pingam gota a gota
até o final da existência 
e de repente acordei
nunca estive na escada, 
nunca estive no mar
nunca estive cortada
foi tudo uma grande viagem
eu sou aquela folha em branco
e o lápis da mente pira em seus absurdos
onde qualquer risco é possível 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Poema desse oceano de lágrimas

 
Arte: Salvador Dali

cai uma lágrima no oceano
cai o corpo todo
afoga a última gota e fim
a vida se esgota nesses dias sem sol 
as sombras agem silenciosas
para certas pessoas não podemos abrir a porta
ou nos roubam a vida 
certas criaturas sonham
outras se debatem e há aquelas que nadam 
tem quem queira afogar quem está na frente
e culpar quem apenas boia
tem de tudo nessa vida
tem quem seja criança a repetir padrões inconscientes
nesse oceano de lágrimas 
já basta de tantos fingimentos
eu quero o espaço do mar que me pertence
deixa-me aprender a fechar a porta
a quem quer me afogar
a me ferir, a me culpar
a projetar injustamente em mim 
os seus próprios fantasmas
olhe para seu umbigo
lute pelo seu pedaço de oceano
eu nada tenho para lhe oferecer além desse poema 
mas não venha me afogar
tem quem ria por último e chegue na praia primeiro
ensine essa gente que não existe graça
não existe vitória
não existe melhor ou pior, inferior ou superior
existe apenas esse oceano de lágrimas 
e se te abri a porta 
agora eu fecho
a sete chaves
entra só quem souber a senha

sábado, 10 de junho de 2017

Intuição


quando o coração sussurra
"Vá por ali"
é para lá que deves ir
entregar ao tempo a fruição de ser irracional
fechar os olhos e ver claramente
tatear a escuridão no fundo dos abismos
sorver a ânsia de ser cria da terra
um pedaço da eternidade do mundo
um grão de flor da areia desse deserto
que dança com o vento 
ao redor da tempestade 
junto com os seus 
pequeninos grãos dançantes
dispersos na dor de ser temporal
e assim abrir o coração 
ao movimento incessante 
da vida em caos
com um sorriso nos lábios 
ao chorar rios de mudos absurdos
desse delírio coletivo que nomeamos mundo
sem palavras ela nos silencia 
e assim a indescritível força nos toma
"Vá por ali"
e é preciso seguir

Luiza Maciel Nogueira

Desafio Poético-Temático: Intuição
Tânia Regina Contreiras
Imagem/Web

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Poema beijo de sombra

bastava escorrerem 
os delírios pela boca 
estes que segredavam ao ouvido 
o som da chuva 
as sensações brotavam 
como flores na pele 
despetalavam indecifráveis 
o véu se erguia infinito 
as sombras dançavam seus prantos 
gota a gota 
recolhidas por mistérios 
na beira da nossa 
nua, crua e tua 
imersão


*

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Poema ao amigo

(em lembrança a Vinicius de Moraes)



e assim a vida acontece 
as sombras se casam, os beijos se calam, 
as flores brotam, a terra germina 
o tempo se multiplica nas lembranças revisitadas 
o presente fica e vai, vai e fica 
na dança de cada momento e assim nesse ínterim 
 as coisas nascem, as coisas vivem, as coisas morrem
o universo gira na criança 
que sorriu, que aprendeu, que dançou, 
que viveu, que sofreu, que amou, 
que derramou lágrimas de areia e mar 
que foi ser horizonte, 
estrela, pedra, pássaro, música ou joaninha 
para tocar alguém e oferecer a sorte de ser pensamento 
e assim a vida continua meu amigo 
vai e engata a primeira até o infinito 
não te limites o pensamento 
a pensar ser muro o universo inteiro 
a vida é esse voo que não para 
é esse infinito que continua a nos sorrir 
assim que o sorriso nos chega é preciso se despedir
e virão as tempestades, os vendavais, as chuvas de granizo
mas meu amigo a vida é esse sorriso 
vai e engata a primeira até o infinito


(Ilustração: Luiza Maciel Nogueira)

sábado, 3 de junho de 2017

Poema dependurado

era melhor eu não te dizer das flores
dos rios, das cachoeiras que seguiam
era melhor que eu guardasse em mim
os presentes que me destes
sem anunciar aos sete ventos 
o bem que me fizesses
era melhor que eu não te dirigisse a palavra
para não correr riscos no vazio
era melhor que nossos corpos 
nunca mais se encontrassem
pois eu não suportaria te ver 
sem te beijar, sem te querer
te suportar eu não suportaria
era melhor eu me silenciar
pois o coração é um lugar sagrado
e eu não poderia deixar entrar
quem insiste em querer sair


*arte- Gaetane Lavoie

Poema do livro que não te dei

Resposta ao 185° desafio poético em imagens sugeridas por Tânia Regina Contreiras

Poema do livro que não te dei 

tantas paginas escrevi
para que nunca fossem lidas
escrevi que você era maravilhoso 
não te entreguei pois achei que já tinhas
o rei na barriga menino
não sei se te entregasse
sua auto estima melhorasse
e seu umbigo poderia virar de fato rei
rei em plenitude de sorrisos
mas resolvi não arriscar dessa vez
já que naquele livro guardei sozinha
tudo que eu vi em ti menino
e não foram poucos encantos e entretantos 
tanto que a infinitude ainda me visita
mesmo sem você por aqui

 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Prosinha: hoje não estou

Hoje não estou. Fui navegar nos mares dos sentidos onde os peixes dançam a esperança e a calma cerca toda a água para proteger os peixes de pularem em abismos. Lá encontrei uma pequena flor que murchava sem água, lamentando tanta coisa que transbordava de inquietude. Era preciso fazer algo então reguei ela delicadamente. Coloquei ela em minhas mãos e disse "florzinha você é linda assim desse jeito mesmo seu". Para minha surpresa a florzinha respondeu com seu brilho de flor com vontade de derreter nas minhas mãos. Suas pétalas caíram, mas lá estava ela viva dentro do meu coração.  

 

Poeminha dos encontros que vão e vem



(fotógrafo desconhecido - quem souber favor informar)


Os encontros vão e vem.
A vida é ciclo que não para.

Mexe, remexe, alegra e entristece.
É ciclo que gira a roda.
É redemoinho que roda dentro.
É espaço de esperança que não espera.
É dança que roda viva nos ares!
É morte, é sangue, é nascimento.
É sombra, é luz, é dor.
É tudo que nos acolhe e rejeita.
É o que não sabemos que brota.
É o que brotou sem nem percebermos.
É vida que nos gesta.
Nos joga, nos lavra, nos arranca.
Nos faz de palhaços e nos coloca a rir
logo a seguir.

A vida é esse ciclo que não para.


*


terça-feira, 30 de maio de 2017

Poema do sangue da barata



não tenho sangue de barata
não tenho coração de pedra
tampouco sou vampira 
minha religião é arte e poesia
prezo pelos mínimos
até a infinitude do Ser
pela imaginação, pelos sonhos, 
pela essência do mundo
este que está a girar diante de nós 
aprendi que eu nada sei de coisa alguma
que qualquer julgamento que eu fizer
é um espelho da minha própria face
tão podre quanto
tão corrupta quanto
tão vazia quanto
tão louca quanto
tão criança quanto
dessas que esperneiam e se jogam no chão 
porque afinal só querem ser amadas
e num abraço o mundo pode girar
das coisas sem explicação 
entrego ao universo 
meus pontos de interrogação
o sentido da vida é tanto mais sentir
a inexplicabilidade das coisas em vão 
do que encaixar em algum teorema
que não caberá no seu coração 
e é justamente por ser infinito
que o homem não é passível de explicação

 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Poema de Sombras Deserdadas

várias de nós caminham
pela caixa escura, dura, nos procura
no tempo sem tempo de ninguém 
ninguém nos abre a porta
talvez essa maldita porta seja apenas
essa doce amarga ilusão 
o céu azul nos brilha
nos despe a pele sombras frias
o sol nos toca mas já não pressentimos
a desilusão nos banha mas já não ligamos
depois já quase nada nos toca
quanto ver dançar o pensamento
procuramos no final da partitura
revoamos nas asas o nosso adeus
nossas milhares de sombras 
entristecem não saber voar
neste deserto de sol desconexo 
lágrimas que não adiantam 
derramar 

 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Kuashi Namamaki

nada sabemos de coisa alguma
qualquer entendimento
é um mero recorte do mundo
exclui outros tantos fatores
essenciais para a gestação 
da verdade

portanto
Kuashi Namamaki
precisamos acreditar
que tudo dará certo
e que em algum canto o amor jaz
seja onde for

Kuashi Namamaki
qualquer enquadramento da realidade
é mero delírio

Kuashi Namamaki
estamos todos perdidos
embora muitos deliram se encontrar



Poema para sair da caixa


no chão tremem as sombras
derramam assim como lágrimas
a dor do outro é também nossa
o que ele escolhe não ver
escolhemos não sentir
véus erguem-se sob a percepção 
o que dói é o desencontro
ambos errados, teimam terem certezas
assim o homem constrói seu preconceito
espaço onde julga o vazio do outro
se fecha na sua caixa e não percebe
a multidão de caixas ao seu redor
se encolhe e fica paralisado no tempo
preso no espaço de sua pequenina caixa
assim as vidas se desencontram
assim a violência é gestada
assim a prisão é cultivada

esse mesmo homem 
que nasceu para voar
imaginar as impossibilidades
sorver o infinito 
nas palmas das mãos 
perde tempo 
preso dentro de sua caixa

Luiza Maciel


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Poema chega!

Chega de excessos
lugares que nos levarão a nada
sementes de ansiedades vazias
pensamentos de beira de abismo
chega de nos justificar
de querer que pensem isso ou aquilo
é isso e aquilo 
Pronto!
não precisamos mascarar
chega de querermos apagar
a chama que nos alimenta
chega desse desesperar 
nas esquinas dos desejos 
petrificados, repetidos, viciados
chega de fingir que não morremos
a cada tiro, a cada abate, a cada aborto
da criança que quer sorrir dentro de nós
do pássaro que quer voar junto ou a sós
da nudez que ninguém vê mas procura desesperadamente
perdidos, jogados, falidos, mal amados
chega de todas as estórias que criamos 
para fugir de encarar a vida
tal como ela é: INFINITA!
da floração da terra em constante gestação
do coração que bate sua sina
sinal que é preciso escutar agora, não depois
não quando tudo desmoronar 
chega de metades, pedaços, chega de incompletude
chega das culpas, das desculpas e dos falsos perdões, 
chega dos falsos amores e das falsas paixões
chega de igrejas, templos, religiões!
chega de poderes vazios, atrasos na revolução.
chega de falsos cegos, surdos e mudos.
Chega de selfies, de hipnose e corrupções.
chega de marionetes, laranjas e falsos chefões.
Somos inteiros que se despem na infinitude.
chega de princesas, príncipes, gurus e super homens
chega de monstros, vampiros, fantasmas e chupacabras.
Chega! Basta! Raio que me parta! 

Convenhamos 
somos grãos de areia perdidos no mar
e o que queremos embora não sabemos
é apenas abraçar!



*


domingo, 14 de maio de 2017

Poema para a mãe da gente

a mãe da gente sempre fica
não importa se ela se foi
fica na pele, na lembrança, na história
é mãe sempre
dedica o corpo, a vida, a alma à sua cria
carrega no ventre a sua alegria
é mãe para sempre
que cuida, que dá alimento, 
que vê sua cria crescer
sorri o primeiro sorriso da cria
torce por cada passo conquistado
até o andar, que alegria!
sofre por cada lágrima derramada
mas sabe que a cria tem que aprender
com seus próprios pés a arte de viver
por isso a mãe da gente ensina até certo ponto
o ponto que cada um escolhe aprender
depois cabe a cria se ensinar a viver
a mãe da gente sempre fica dentro da gente
a nos dizer baixinho que ama a gente
não importa o nosso caminho
puxará a orelha se for preciso
porque já adultos a mãe da gente
é a consciência nossa a nos chamar
"vá em frente menino, a vida não vai parar!"


 


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Poema to let go



demoramos tempo demais
para reaprender a se entregar
as coisas são como são
eu sei que não existe perdão,
se nem coração existe
existe o que existe
nos lugares que menos esperamos
a algazarra acontece
o beijo da vida é dado
e caminha para um abraço
lá na frente
"aqui, ali, em qualquer lugar"
como Rita Lee quando canta The Beatles
como as coisas que nos batem na porta 
para nos ensinar to let go
porque quando você arranca uma flor da sua morada
ela morre devagar 
as coisas são como são
porque é tão difícil aprender a entregar
nosso suspiro
quando prender pássaros em gaiolas
nos fará enjaulados
e o contrário deixar o pássaro voar
será também se libertar

saberemos nos entregar?





terça-feira, 2 de maio de 2017

À tardinha

  


lá pelas tantas 
quando o sol se extingue no horizonte
olhar o céu à tardinha 
e caminhar pelas ruas pode ser alegria
repara como a linguagem dos pássaros 
excede o limite dos muros?
assim meu bem não existem obstáculos 
para quem aprende a voar
 os muros só existem 
para quem aprende a rastejar
a linguagem dos pássaros é o voo
limita-se a não se limitar
tudo é possível nesse céu
para quem aprende a sonhar

sonhar é uma arte que se vive
quando o chão deixa de ser estrada
o limite deixa de te limitar
e a regra é sonhar sem se importar
apenas porque voar é caminho 
e o céu é destino




*





segunda-feira, 1 de maio de 2017

Poema atento


muito antes de te ler 
observei o toque do silêncio nos ouvidos
a sutileza das pedras a encontrar um céu
riscado pela asa da palavra "casa"
as nuvens eram dotadas da leveza do tempo
você já se foi e como pássaro voou 
mas algo sempre fica
de quem um dia a gente encontrou
ternura cinza nas ranhuras das pedras
o musgo brota e a vida continua a cantar
ao pé do ouvido
o embalo é um abraço que dança lucidez
embriaga e desaparece
só as nuvens me contam dos teus rastros
você vai onde o vento te leva
e como pedra eu só observo teu trajeto
meus musgos sabem como é bom brotar
beijar a terra até o fim, olhar para o céu 
como se amanhã não houvesse
sentir o perfume do tempo
escutar o canto daquilo que não tem nome
percorrer a infinitude dos traços das nuvens
gosto de te ver chegar, pousar em mim e ir embora
mas o que gosto mesmo é de te ver voar
riscar o céu sem demora 
parte de mim é esse risco 
que me risca por dentro
risco que corre no nosso olhar
risco que se arrisca a riscar


Poema feito ao contemplar uma bela foto do AC - interioridades :). 
Porque é um escritor, poeta que muito me inspira.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Poema para te acordar


meu bem já te disse tanto 
que agora fico no meu canto
em silêncio danço 
sem mais querer te encontrar
no entanto é de repente 
que me apareces
e sem querer me despes 
de tudo que eu pensei realidade
e então do nada desapareces 
como se só eu estivesse
sem mais ninguém a me despir
me dispo sozinha de tudo
até desse corpo que não é meu
não quero levar nada comigo
nem mesmo esse abrigo
que teimei chamar de meu
não tenho nada neste mundo
é tudo um empréstimo 
com juros altos a pagar
pagaremos cada centavo 
na eternidade do sorriso dado
sem a consciência do desvio
é que é preciso ter responsabilidade
daquilo que precisamos fazer
para o mundo e nós crescer
não podemos mais ficar parados
ou você vai ou a vida te leva
meu bem é preciso gritar 
fazer o que se deve para a vida poder fluir
e no mundo o amor poder repercutir 
tire a trava, a muleta, a desculpa, se liberte 
cante para o mundo 
o que as pessoas precisam escutar
toque o que deve ser tocado
abrace quem der vontade
beije os ponteiros do relógio
sorria para as tuas lágrimas
simplesmente aprenda
porque é assim e só assim
que poderemos mudar
aquele padrão de ser menos
do que verdadeiramente somos
você pode sim e deve
mudar o mundo