sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Da tristeza quando transborda


Lembro de ficar demasiado triste diante da certeza do abandono. A tristeza quando transborda se transforma numa imensa orquestra a cada vez que o trem (das lembranças) passa na estação com inúmeros instrumentos a tocar nosso fim de mundo, é apenas o início de tudo que ainda está por vir. A impaciência pulsa nos olhos do outro enquanto quero sempre eternizar aquilo tudo que sei ser o último dia da minha vida. Do infinito pulsar da vida sem volta que consiga atingir a saudade do início, quando não existia mapa que traçasse nossas vidas.


"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

Antoine de Saint-Exupéry


6 comentários:

Gugu Keller disse...

A tristeza não precisa de porquê.
GK

Toninho disse...

O que fazer com esta tristeza que pinta e borda e transborda em nosso ser, tão frágil. É certo que se "poemiza" e fica lindo.Quando o outro se vai nunca vai só mesmo amiga.
Bjs

Marta Vinhais disse...

Escreve-se poemas simples... Pinta-se o arco-íris e não ficamos tão tristes...
Nem sós... Porque temos as memórias, os sorrisos, a luz....
Lindo...
Obrigada pela visita...
Beijos e abraços
Marta

Elvira Carvalho disse...

Umas excelente reflexão, sobre a tristeza e as nossas emoções perante ela.
Um abraço e uma boa semana

AC disse...

Entristecer, agitar as nossas certezas, reformular...
É um processo lento e doloroso, mas é assim que se cresce.

Um beijinho, Luiza :)

Julia Tigeleiro disse...

Adoro esta frase de Antoine Exupéry porque é tão verdadeira. A tristeza é um sentimento tão visceral. Abre-nos literalmente. É inevitável também. É uma forma da nossa natureza fazer o seu luto, seja elequal for.