quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dei de ombros ao que não vinga

 

dei de ombros ao que não vinga
a sorte de ser um pedaço mínimo 
na beira do abismo 
faz de mim um ser quase invisível 
o egoísmo que tenho
o abraço passageiro
a raiva da impossibilidade
a ternura na fragilidade
a lembrança recortada como se não
fizesse mais parte não

a escolha será para a infinitude nos levar
aquilo que nos fará ser
tão natural, artificial 
para quem quiser ver 
através do espelho
reflete a imagem daquele 
que testemunha a vida
e não sabe que aqui estou
através

não me olhe assim
deixa eu ser qualquer coisa
que não seja tão irreal
deixa eu ser natural
ainda que tão artificial
deixa eu ser quem sou
deixo desvanecer
eu não sou teu espelho
eu não sou tão assim
eu só sou um escaravelho
vou envelhecer, vou prometer
vou mentir, vou decepcionar
vou amar, vou odiar
vou complicar, vou ignorar
vou acalentar, vou brigar
vou cantar até silenciar 
até silenciar
até silenciar
até silenciar

*

Um comentário:

Toninho disse...

Assim é a trajetória, o encanto, o canto e o silêncio.
Bonito inspirar.
Abraços Luiza.