sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Poema da última bolacha que se revoltou e foi ser outra coisa

 

Não sou a última bolacha do pacote.
Tampouco sou a primeira.
Também lá no meio do pacote não estou.
Não moro em pacotes de bolacha.
Acho que nem sequer sou uma bolacha.
Me recuso a ser bolacha
quero ser outra coisa incomível
um veneno de verdade revoltante
mas verdade
melhor mil vezes que a mentira fingida
que nos acostumamos
ao mundo em bolha que vai estourar 
quando você menos esperar
Puf, estourou e caiu por terra
seu corpo de plástico fingido
derreterá causando um estrago
no nosso ecossistema
o botox, o silicone, o chip implantado
o sorriso disfarçado, 
a beleza padronizada em fingimentos
o fomento absurdo da falta de auto estima
só para você consumir tudo o que não é e não tem
a bateria que vão colocar na tua cabeça 
pra você funcionar quando
apertarem o botão "on"
e quando cansarem de você 
vão apertar o botão "off" e te empilhar
lá onde os cadáveres ficam.





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