quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Por um abraço musical

 


Um dia qualquer, um delírio desses que chegam de repente poderiam cair em um abraço musical. Das notinhas a rodopiarem com pássaros por todo corpo embebidos da música de uma qualquer maravilha na pele a beijar os ouvidos a alegria do som ser morada em nós. Morada de interrogações exclamações, de dois pontos até os três pontinhos para que seja um abraço de infinita duração mas sem a prisão dos abraços mesquinhos e egoístas que querem só prender por paixão ou ilusão, mas um abraço completo pleno de imensidão a dar espaço para a música ser e fluir, a abrir portas e janelas para belezas sonoras. Da ternura que o tempo nos ofereceu nesse espaço louco de ânsia e saudade a pulsar nossas miragens, delírios jogados para a colheita na eternidade. E a música não pára de brotar em um contínuo, o tempo que nos escorrega anuncia o chorinho dos pássaros, a sonata dos bem te vis, o solo do tucano, o coro das maritacas e o silenciar das corujas a relembrar que nosso abraço haverá de repercutir em todos os abraços que ainda serão, também naqueles que se foram, naqueles que são e que nada será, é e foi em vão.

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Um comentário:

Elvira Carvalho disse...

Um texto muito belo.
Um abraço e bom domingo