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terça-feira, 30 de maio de 2017

Poema do sangue da barata



não tenho sangue de barata
não tenho coração de pedra
tampouco sou vampira 
minha religião é arte e poesia
prezo pelos mínimos
até a infinitude do Ser
pela imaginação, pelos sonhos, 
pela essência do mundo
este que está a girar diante de nós 
aprendi que eu nada sei de coisa alguma
que qualquer julgamento que eu fizer
é um espelho da minha própria face
tão podre quanto
tão corrupta quanto
tão vazia quanto
tão louca quanto
tão criança quanto
dessas que esperneiam e se jogam no chão 
porque afinal só querem ser amadas
e num abraço o mundo pode girar
das coisas sem explicação 
entrego ao universo 
meus pontos de interrogação
o sentido da vida é tanto mais sentir
a inexplicabilidade das coisas em vão 
do que encaixar em algum teorema
que não caberá no seu coração 
e é justamente por ser infinito
que o homem não é passível de explicação

 

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