quinta-feira, 25 de maio de 2017

Poema para sair da caixa


no chão tremem as sombras
derramam assim como lágrimas
a dor do outro é também nossa
o que ele escolhe não ver
escolhemos não sentir
véus erguem-se sob a percepção 
o que dói é o desencontro
ambos errados, teimam terem certezas
assim o homem constrói seu preconceito
espaço onde julga o vazio do outro
se fecha na sua caixa e não percebe
a multidão de caixas ao seu redor
se encolhe e fica paralisado no tempo
preso no espaço de sua pequenina caixa
assim as vidas se desencontram
assim a violência é gestada
assim a prisão é cultivada

esse mesmo homem 
que nasceu para voar
imaginar as impossibilidades
sorver o infinito 
nas palmas das mãos 
perde tempo 
preso dentro de sua caixa

Luiza Maciel


2 comentários:

AC disse...

Talvez seja a caixa de Pandora. Ou não? :)

Um beijinho, Luiza :)

Luiza Maciel Nogueira disse...

Talvez AC! E talvez seja uma outra caixa dentro da caixa dentro da caixa...de um infinito de caixas.

Beijinho :) !