quinta-feira, 22 de junho de 2017

Poema dos deslimites dos lábios

Arte: Salvador Dali
Sofá Lábios de Mae West


sentada nos lábios do outro
fui palavra cuspida na boca
poema na pele, verso sem tato, irado
horizonte sem estrada, estrada deserta
fui paciência sem limite
impaciente demais para limitar 
os deslimites da língua do sofá
revoam os pássaros dentro da garganta do tempo
nasce o vôo delinqüente deste samba sorridente
no chororô da ignorância nasce um sonho, uma esperança
sentei nos lábios da poesia e ela me cuspiu alegria
e quando sentaram nos meus lábios
sorvi um fado risonho, pimpolho, enfadonho
piolho que foi ser gente
gente que quer ser outro tipo de coisa
coisa que não quer ser
ser que viram a coisa
coisa que se viu
e se apavorou consigo
com si que sigo


*

Um comentário:

Jaime Portela disse...

Este poema não é excelente, é muito mais. Diria soberbo, no bom sentido da palavra.
Bom fim de semana, amiga Luíza.
Beijo.