Música!

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Poema nadificado



a abraçar a inutilidade das coisas 
ser tão inútil como tenho sido 
a cantar com os passarinhos 
e não fazer diferença nenhuma 
a não me importar absolutamente 
nessas coisas sem destino 
destinadas a não serem
jogo-as ao vento 
das coisas sem conserto 
como esse coração despedaçado 
nesse grande nada a nos envolver 
em eterno delírio 
delírio de uma dança de nadas em nadas 
das quinquilharias a sorrirem 
esses indecifráveis vazios 
que nem a borracha saberá desdizer


*


Escrito para o desafio do grupo Delírios Poesia e Arte cujo tema é "Inutilidades, quinquilharias e vários nadas".


4 comentários:

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Ah... Luiza Maciel,
Foi enorme teu desafio:
Mostrar que o belo é o vazio
Na poesia? É cruel!

Tu cumpriste o teu papel
Bem à risca, sem desvio
De um alinhamento de rio
Sem curva? Fostes fiel

À proposta. E em paralelo,
Luiza, expuseste o belo
Que é tudo em poesia.

Doido é quem fez o castelo
De cartas! Pois não chancelo
O tema - é covardia!...

Grande abraço. Laerte.

Suzete Brainer disse...

Estes nadas são repletos da vida, no simples do sentir:
"A cantar com os passarinhos"
O poema na beleza deste dizer na profundidade do "Nada":
"Esses indecifráveis vazios
Que nem a borracha saberá desdizer"
Um Nada filosófico imenso de poesia, Luíza.
Beijo.

Maria Rodrigues disse...

Quantas vezes somos envolvidos numa dança de nadas.
Belissimo poema
Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Jaime Portela disse...

E há sempre outros nadas que dependem desses nadas...
Excelente poema, gostei muito.
Bom fim de semana, amiga Luiza.
Beijo.