Música!

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Da inútil fuga

eu peco pelo excesso de palavras
mas aprendi a abominar o silêncio 
desde cedo
não vou com a cara daquele filho da mãe 
silêncio o caramba
tudo menos aquele imbecil
que não sabe falar
que me fita descarado, tarado
não sabe falar não nem sim nem talvez
vai olhar a mãe 
para de me encher o saco
vai ver se eu tô na esquina
e ele ali continua intacto
como se fosse o dono do mundo
eu não aprendi a escutar esse fdp
mistério então nem morta
vai fazer suspense pra tua mãe
duplo sinal? tô fora!
indireta? Vai passear!
preciso de barulho
e olha ele aí de novo
como se fosse dono do pedaço
entra onde não é convidado
e encerra esse poema
o filho da mãe
...


3 comentários:

Thales Rafael disse...

Poema com os dentes à mostra e a garganta vibrando. Sem ressalvas e as palavras necessárias na medida exata.

Favor, continuar gritando.

Grato!

Jaime Portela disse...

O excesso é relativo, pois há quem fale pouco e fale de mais...
Mas, neste excelente poema, as suas palavras não são excessivas, Nem sequer o fdp...
Gostei muito, parabéns. Nunca perca a intensidade e a irreverência poéticas que a caracterizam.
Bom fim de semana, amiga Luiza.
Abraço.

AC disse...

Tchi, Luiza, que acutilância!
Com endereço próprio, é óbvio, a mensagem diz tudo o que lhe vai na alma acerca de uma certa forma de estar, bem desconforme.

Que os amanheceres tranquilos prevaleçam!

Abraço :)