Poema e imagem feito para um desafio de Tânia Regina Contreiras - tema é "Daquilo que só se enxerga na escuridão":
Poema daquilo que só se enxerga na escuridão
Manto negro.
A melancolia a lacrimejar pelo tempo.
Saudades dos nadas a dançarem sob os olhos.
Agora marejados de sangue
da multidão que se ergue sangrenta.
Caminham pelos bandos de cadáveres
a soterrarem absurdos indigestos
na mente dos outros
que só seguem o bando
sem saberem que vivem
sem saberem que sangram
sem saberem escravos
de uma podre ilusão.
Manto negro descortina num repente
e os ratos surgem dementes
a devorar as gentes que ainda vivem.
Uma menina ao ser devorada pela vida
alimenta o sonho de ser livre
canta ela sua última canção
para toda a multidão que sangra
encoraja todos a cantarem juntos
canta a multidão ao sangrar.
Manto negro
e a violência segue seu percurso...
Manto negro ou rubro
de sangue nos olhos
de sangue nos sonhos
de sangue no sangue
a jorrar mais sangue...
Luiza Maciel Nogueira

Um comentário:
Um poema muito negro acerca de um manto também muito negro.
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