Música!

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segunda-feira, 27 de março de 2017

Poema de simplicidade inadiável


(Aquarela por Luiza Maciel Nogueira)


como uma pequena flor que brota no jardim
assim regas teu dia com a luz do sol
tira bom proveito das águas, do orvalho, das tempestades
da terra, dos ares, das flores, do silêncio e de tudo ao redor de ti
para compor teu dia com simplicidades
que alimentam o ser
concentra em se nutrir do tempo que tens nas tuas mãos
e espalhe quando nas tuas mãos não mais couber
 tanta poesia



*


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Poema de quando a poesia beija a música

quando a poesia beija a música 
o pássaro se preenche de notas
nasce a poesia
e o amor prevalece
acima de todos os absurdos
que um dia irão embora
porque só o amor é infinito
o resto é resto e será levado para longe
sem perdão, sem lamento, sem demora
absurdos tantos, vários, inúmeros
estes dançam em toda parte 
a parir mais absurdos,
mas nada resistirá ao amor
e quem souber disso
terá em si todas as forças  
para sorrir, para amar, para cantar

para levar em toda parte 
um pedaço da infinitude

 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Poema da chuva em nós



chove todos os dias dentro de nós 
sempre após 
enquanto o tempo nos sorri 
inteiro, intacto, nos antevê 
como a carregar um pedaço 
da viva esfera do mundo 
a rodopiar em abraços 
e ciclos repentinos de luz 
em gotículas de embriaguez 

 é luz que jorra quando 
entra o silêncio de uma multidão 
ou a parte bela ínfima de uma imensidão 
prestes a cantar sua canção 
são pássaros, flores, borboletas 
e tantas notas a navegar no coração 
a oferecer um pequeno silêncio 
para brotar inspiração


*

terça-feira, 22 de março de 2016

Miragens, Lembranças e Encontros

(Simples)
1.
Não é pra ti. Não se engane, nunca foi pra ti. Acreditava que era, que sim, mas não. Passou tanto tempo, tantas feridas, tantas palavras ditas pra um "ti" que existiu dormente. Dorme tranquilo que nunca foi pra ti, ou viva vivo que já não digo mais só pra ti. Mas o ti aqui é pra alguém, sim pra quem quiser receber palavras, achar que toca e pensar ou sentir que ecoa algum sentido e portanto é para ti. Sempre foi assim, a música da vida é pra quem quiser escutar, pra quem quiser. Não que isso seja vida, essas palavras vazias, tão cheias de nada. Flores de nada que te devo. Nada mais, nada menos que o que quiser receber da vida. Vida com perfume, com lembrança, com lume. E o lume é só por ser esperança e tanta chama. E a chama é por ser de vida. Vida e esperança ou são sinônimos ou se complementam. Talvez os dois, ou até mais. Não sei. Talvez.


2.
Sabes que já não volto, que por não voltar também já não me arrependo. Fria, talvez mas chega de deixar que o tempo se vá assim tão depressa pelo ralo. Instantes luzidios, lembra? Pra isso se vive.


3.
Da música, da escuridão e das solidões ainda soletro alguma luz, alguma esperança. Que a luz sempre foi feita da fé que nos habita, de algum sonho que ainda não morreu. Da espera aguardo somente miragens que só alimentam beleza nos olhos. Aqueles detalhes tão vivos que nos somam. E há tempos repito é no detalhe que mora a calma. No aparentemente simples e banal mora a beleza. Na verdade a beleza mora em todo canto, em qualquer miragem que já agora virou uma lembrança. E tudo isso é também vida, é também luz. Veja bem a lembrança permanece e que bom, mas o instante luzidio corre sem fim e é bom agarrá-lo também de quando em vez, quando ecoar nos olhos alguma luz. Nos olhos e no coração. Tudo isso são encontros que vivem, intimidades que repercutem e que alimentam a esperança. Por isso amor que amo um ti. Pela intimidade da palavra, mas não se engane, não e por ti e é porque é um ti que faz ecos em mim. E portanto viva tranquilo que não me deves, não te devo e não somos. A vida é, a poesia é e poesia é vida que dança. Os instantes, versos que flutuam enraizados a ecoar nos olhos de quem estiver disposto para apreciar, para ver a dança e escutar a música da vida. 


4. 
Sim, a música da vida e os instantes dançam, a vida dança. Nada é mais tão banal. Agora percebes, agora sentes?


escrito originalmente em 2010.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Do Tudo (de 2010)

(Voar)

A imaginação faz caminho nos olhos do tempo de ternura, de viagem, de amor, de desamor, de vazios, de saudade, de nada. Tudo inventado para diversões repentinas da alma que sempre quis voar pela eternidade e as vezes pousar no instante é preciso. Alimento-me de pequenas coisas e as faço imensas repentinamente. Dessa beleza rio. O que me desperta é a sensação que invento do futuro instante, presente do universo. Universifico a esperança que acompanha cada passo, por vezes finjo o escuro, por vezes finjo a luz, por vezes finjo o nada, o vazio e danço o lume no pensamento. Não espero mais nada além do instante, mas sempre anseio a intimidade contigo. Não é suposto que entendas a sorte do quase, do ainda, do sempre e do nada. O vôo ocorre sem querer, inesperado, mas vital, brutal e essencial. O segredo é não precisar de uma resposta pronta, mas inventar as próprias respostas da alma e escutar atentamente o que elas nos querem dizer. O real é igualmente invenção. O desassossego é também presente para contemplarmos o caos da vida e irmos além da loucura. Da loucura sorver a sorte e desaprender o passado todo. Guardar o novo de cada instante no coração. Passados, presentes e futuros. Todos juntos, em união. O amor fica e vai, vai e fica e no final se espalha sobre o mundo depois de apreciarmos um bom café. Liberte-se das amarras da solidão sem aroma e navegue para além. No lume do instante mágico. Existências à parte, somos seres de muita vontade e basta um sorriso para que tudo nos faça sentido. A tristeza, essa faz parte daquilo que não soubemos amar, das nossas pequenas ou imensas inseguranças, dos instantes vazios, da pressa com que passamos sem apreciar algo ou alguém, das pequenas mortes de cada dia, do sofrer sem querer, da lágrima, da ferida, das cicatrizes da vida. Faz parte dizer, silenciar, musicar, tocar, amar e por vezes achar que tudo é uma grande miragem inalcançável. Um dia ainda vais ver que o que nos move é exatamente o que não podemos ser. Aquele brilho que queremos alcançar e que talvez não se veja que ele faz parte já de nós esperançosamente. Intenso sim, a forma como tudo se encaixa e depois bagunço para perder de vista mais uma vez. Não foi suposto dizer dos mistérios. Por isso calo, aprecio e deixo que o vento leve o que não cabe mais em mim e que dance no sem fim.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O brio das águas

o brio das águas
quando o toque da luz
revolve o mar de esperança

é cedo, é sempre cedo
para se encontrar
olhos em repente

ainda é tempo de sonhar
para teu sorriso
engrandecer meus ínfimos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Acorda amor


acorda amor
há vida lá fora
há silêncio para cultivarmos
como esperança
acorda, eu sei que na revolta dos temporais
nosso rumo se confunde
cometemos erros
tristezas, depressões,
decepcionamos os outros
acorda amor há guerra dentro de ti,
dentro de mim e há guerra fora
acorda amor, o tempo perdoa
nós que não nos perdoamos
e o tempo corre, a vida corre
tudo corre e passa quando se menos espera
acorda, não seja tão dorminhoco
ao ponto de desprezar a vida
acorda, valorize os teus
e compõe o seu futuro
que cansei de te ver morrer

domingo, 12 de agosto de 2012

Do que é maior

intento que o silêncio
seja maior que nós
que qualquer palavra
seja demasiadamente mínima
para preencher este espaço
de tanta distância
então, revolvo minha sede
nada nem ninguém
nos salvará

a não ser talvez isso:
um silêncio íntimo
e infinito que pulsa
na casa do coração

(Luiza Maciel Nogueira)

O desenho é uma homenagem para um grande filósofo Gaston Bachelard, que já dizia que a casa é um "estado de alma".

publicado também no http://minimoajuste.blogspot.com

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Boa sorte!



dentro de um sorriso
dentro de olhos risonhos
há mais que a mera beleza
mais que o mero encanto
música, orquestra e tanto

quem sabe onde encontrar
qualquer detalhe é canto
a quem toca e é tocado
a música envolve até os poros
quem arrisca dançar

qualquer toque é mais
que mero silêncio
e qualquer silêncio
é mais que vazio

um mistério para ti
um sorriso pra mim
a vida é mais que isso





quarta-feira, 27 de junho de 2012

(2010)



rio de lume e essa ironia inocente
um poema pra mim
perco o cais no fundo do mar
amor pra quê
gota de chuva, sonho, nada
absoluto, infinito, bruto
e essa palavra encerra nosso encontro
adeus ironia, vou-me embora
porque tenho fé na poesia
apesar de tudo, de todo mal ou bem
apesar da imperfeição, do caos,
da miséria, do desespero, dos desencontros, da dor
você deve rir de mim, mas já não ligo tanto
só me atinge o que tinge
meu coração de vermelho





*

terça-feira, 12 de junho de 2012

Errante

(Sopro - por Luiza Maciel Nogueira)


escuto...
às vezes só escuto
tento decifrar algum som 
mas algo diz errante 
meus ouvidos me traem 
quando ouço uma canção, 
um poema ou um sopro
que não é pra mim 
mas se torna meu



*

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tantos segredos

tantos segredos
dançam em ínfimos
que revelam imensidões
e tu mal sabes amor
que já morei no teu riso
de pássaro
embora se diga triste
um sorriso é sempre
uma imensidão
como os olhos
são sempre infinitos
e a pele
um mar de sonhos
onde qualquer onda
toca o resto do oceano

Pudera ser tempo


o absurdo ressoa lindo
pudera ser tempo
de passarinhar
em vôos matutinos
intergaláticos paradisíacos
cantar até a madrugada
sem medo da escuridão


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Para engrandecer ínfimos

para engrandecer ínfimos
pouso os ouvidos no silêncio
escuto notas revolvidas de esperas
um toque quase infinito
por ser tão bela embora grite
a esperança que nasce
é limite da imperfeição


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Qual verso mágico...

qual verso mágico abrirá as janelas
para iluminar nossos pensamentos?
qual poema fará dançarem luzes
no seio de toda esperança?

a prece de um silêncio sem fim
abrirá as portas que escolhes
na casa onde moras
acende a luz...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Que arda o silêncio...

que arda o silêncio
no poema que não quer se despir

que morram as palavras
que não são genuínas

que cortem minhas mãos
que já não tecem esperanças

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pequeno poema semente


germina a semente na língua
silêncio que espera seu tom
na revelação do tato
até o céu da boca

(Luiza Maciel Nogueira)


"Pequeno poema

Somente semente
Veludo largado
Na língua que
Nos germina."

(Ricardo António Alves)


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Queria atravessar todos os mares...

queria atravessar todos os mares
apenas para te encontrar

mas o tempo se fez pedra
no desencontro das areias

no precipício de um salto
uma única lágrima caiu

domingo, 6 de maio de 2012

Quando


quando o tempo ecoava nos teus olhos
eu era prosa de horizonte infindo

quando a música tocava nosso vazio
eu era canção do nada a pulsar

quando tua pele abrigava a minha
eu era a poesia de todos os corpos

quando o silêncio me consome
viro pausa, espaço em branco sem destino

quando desisto de ti
o infinito recolhe tantas lágrimas

quando nunca voltares
serei apenas pó, um nada a dançar em sopros