Música!

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Poesia de Úrsula Avner

todos os versos escritos pela poetisa Úrsula Avner
me sinto honrada de poder ilustrar algumas das suas lindas poesias!





(Rochas no mar - por Luiza Maciel Nogueira)


*Poema (re) visitado*

"percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúdeo mar esbravejar
e lanço rimas ao ar


alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam


visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar"




(por Luiza Maciel Nogueira)


*Fuga*

"menina sonhou que podia voar
passarinho quis lhe ensinar
conversa vai conversa vem
menina entendeu tudo bem
na hora de alçar o voo
menina não quis tentar
em vez de aprender a voar
menina correu para o mar"

 




*Dançante*

"poesia
vestida de flor
brinca de aveludar
meus sentidos
aguça os ouvidos
quando ouço
canto de beija-flor"




escrito por Úrsula Avner

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Passarinhos

(Pássaros no galho de uma árvore - por Luiza Maciel Nogueira)



os pássaros cantam a oração da vida
ao deslumbramento dos raios solares
comunicam entrecruzamentos
do vôo, das árvores, do tempo
do vento, da chuva, dos frutos

derramam no vento a semente
que é levada ao seu destino
não por acaso esta crescerá




(Fotografia de Luiza M. N. - Figueira plantada pelos pássaros no meio de uma árvore Angico em início de decomposição. O Angico abriu em duas partes, uma delas já caiu, a outra vai cair em breve, porém a figueira plantada pelos pássaros continuará no lugar do Angico, suas raízes atravessam a grande árvore até a terra. Sábia natureza!)


Figueira surgiu
no meio de um Angico
passarinho esperto
não quer deixar morrer
seu lar de pouso e ninho





quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Lara Amaral

(Gota - por Luiza Maciel Nogueira)



"A incompletude da gota
quase toca
quase escorre
é sempre, quase sempre
um falhar no umedecer
das palavras
dos gestos."




(Um presente recebido da poetisa Lara Amaral  do blog Teatro da vida para o desenho "Gota"!
Publico porque AMEI, um muito obrigada!)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Da Incompletude

(Gota - por Luiza Maciel Nogueira)


PERDOA

Inferi o entretanto na pele,
o tanto que perdoa amor,
foi mesmo falho,
apesar de terno,
eternamente enquanto
(a parábola do riso).


ENCANTO

Se te disseste ausente,
intuo o tão presente,
mas a escorrer lentamente
pela pele no som
que apesar da dor
és meu encanto.


APENAS

Os versos todos insuficientes,
sem poema, palavra, poesia
que te faça sentir o silêncio
as tempestades, os ventos,
as chuvas, o mar.
Sem poema que te faça sorrir.
Sem delírio que te faça sonhar.
Apenas poema
frágil, ignóbil, gentil.


AUSENTE

parece que nada te toca
qualquer beleza
não te surpreende
todo instante insuficiente
aquela pétala insignificante


ME PROCURA

agora amor me procura
no instante íntimo do beijo,
estalo do corpo, mosca no lixo
me procura no macio

busca sem fim o instante
e por favor recebe de bom grado
esses versos falhados






terça-feira, 17 de agosto de 2010

Água Rara II

(Gotas são pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
cada lágrima habita um enigma pássaro
a vibrar na face, na chuva, no mar
molécula de beleza e liberdade
que dura o tempo do enquanto
enquanto a dor falece seu encanto


 2.
Pássaros voam e pousam pelos olhos.
Oceanos e oceanos. Mares e mares.
Sendas, passos, traços,
cautela amor que não tivestes.
Mergulhastes na profundeza do verso
e a mudez do som que criastes em ti,
da intimidade com o nada que já disse,
é tanto.


  3.
se o esquecimento
ainda não lhe bastastes
me procura nos pássaros,
no silêncio, na chuva
busca sem fim
o detalhe no instante
e a música virá
espera...


(escuta)













segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sol



(Beija-flores - por Luiza Maciel Nogueira)


Sol no horizonte se põe.

Um dia chegou abrangente num sorriso e o olhar derramou o amor.
São versos ternos que queria silenciar todos os dias.


Foi na cidade que te vi, na estrada um colibri.


Depois de muito tempo a avenida estava esvaziada de ti. Comecei a pensar que não tinha mais volta, voltei a chegar. E todo lado eu via um instante de poesia. Era belo e triste como as ondas do mar.


E tudo era poesia, em cada verso um olhar. A natureza dizia cada coisa no seu lugar. A chuva para sentir, o vento para fluir e o mar para navegar.


E assim se foi mais um dia, chegou a noite adormecia. Na cama beijou o amor da madrugada abraçou. Um sonho sempre dá asas.


No céu um cometa pousou, eram os teus olhos. Olhos de amor.




(escrito em 27 de Novembro de 2009)

domingo, 15 de agosto de 2010

História

(Piu - por Luiza Maciel Nogueira)



A história começa onde termina. É um qualquer lugar, uma esquina. Tem olhos que se olham, mas não vêem nada. Tem gente, tem sonhos, tem dor e também tem amor, por mais escasso que seja, é sempre dor um amor.

E sós estamos juntos.

Essa é a história de todo lugar tem cheiro a memória e passa devagar. Em cada olhar mora um verso, em cada esquina um sonho, em cada coração um universo, em cada sorriso uma luz.

Um oceano de saudade percorre e é sempre urgente sentir.

Essa história é curiosa. Ela tem início na dor e passa a ser sorriso.

Que mistério o amor!

Lembraria com um sorriso cada amor, cada poesia com o olhar de cada dia.

É sol, é luz...

É não precisa dizer mais nada, eu já sei.
Nunca quis, eu sei.


(escrito em 26/11/2009)

sábado, 14 de agosto de 2010

Singelo

(Bailarina e pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)




do singelo que repousa
destoam moradas
que o vento sopra e repele
para outra noite
outro corpo, outra pele
outro olhar







sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tem poema

(Preto Livre - por Luiza Maciel Nogueira)




Tem poema safado, poema ousado, poema acabado. Tem poeta perdido e tem poema achado. Tem poema de amor, poema de dor, poema de luz, poema de sombra e poesia de abrigo. Tem poema ferido. Tem poema triste. Tem poema saudoso, poema de louco e tem poema caduco, poema mal visto. Tem poema chato, poema de mato, poema de rouco e tem poesia de gago. Tem poema cego, poema lúcido, poema normal. Tem poesia dos olhos e tem poeta astuto. Tem poema delicado. Tem poema singelo. Tem poema porrada e poesia de guerra, tem poeta brigão, poeta porreiro, poeta pião e poeta barbeiro. Tem poema livre e solto e tem também poema preso, tem poeta travado e poeta arteiro. Tem poema calado, tem poema falado, tem poema abandonado e poeta solitário. Tem poema pedaço, tem poema inteiro, tem verso danado e poeta faceiro. Tem poema desastrado que dança o dia inteiro, tem poema ventania que canta melodias. Tem poema de partida e poema de chegada. Tem poema de instante e poesia de morada. Tem poema semente, poema árvore, poema flor e poema de fruto. Tem poema de criança, poema adolescente e poema mais velho. Tem poema que brota e poema que cresce, poema que desce e poema que sobe. Tem poema que morre e poesia que desaparece. Tem poema sorriso, poema de olhar, tem poema de beijo e poesia de se abraçar. Tem poema sedento e tem poesia alimento. Tem poeta que canta, poeta que foge, poeta que sente, poeta que mente e poeta que explode. Tem poeta que ama, poeta que arde, poeta que morde, poeta que late, poeta que sofre, poeta que sonha e poeta que dormente. Tem poema que é música, poema que é nota, poesia que pia e poesia acorde. Tem poema que grita, poema que rima, poema que é baixo, poesia que sussurra, e poeta músico. Tem poesia que afoga, poesia que acorda, poesia que assusta e poesia suporte. Tem poema terno, tem poema bigode, tem poema corpo e poesia sacode. Tem poema preguiçoso, poema rapidinho, poema fajuto, poema sozinho. Tem poema concreto, poema delírio, tem poema imaginativo, poema expulso e poema bem vindo. Tem poema porta, poema janela, tem poema lençol e poesia encoberta. Tem poema esfarelado, tem poema enluarado, tem poema emaranhado e poema enamorado. Tem poema erótico, poema pueril, poema maldoso e poema gentil. Tem poema solar, poema escuro, poema clarão e poema escuso. Tem poema tudo, poema nada, poema mais ou menos, poema dinheiro e poesia de graça. Tem poesia lembrança e poema miragem, tem poema agonia e poema saudade. Tem poema parado, poema fluindo, poema voando, poesia tinindo. Tem poema tantos, poema poucos, poema contente, poema insuficiente. Tem poema reto, poema largo, poema curva, poema traço, poema caminho e poema passo. Tem poema enigma, poema mistério, poema claro e poesia sincera. Tem poema drama, poema comédia, poema trágico, poema aventura, poema ficção, poema realidade, poema maldade, poema crú, poema no ponto e poema passado, poema carcaça, poema sem graça. E tem também poesia feita com o coração, poema vivo e poesia na mão, poema sorrindo.

Tem tanto poema, poeta, poesia...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Rumo?

(Rabisco - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
a palavra exata
não existe
fora dos teus olhos
por isso
calo demais
qualquer som



2.
não existes
não ressoas
não me tens
então vou embora
fazer silêncio
em outra senda
sem ti meu bem


3.
prá que trovejo
se nem mesmo sinta
qualquer coisa
(aqui)
sem senda ouvi
"vá por ali"


4.
é tanto
fingimento
que cansei
de declarar
que minto
(só pra mim)



5.
me deparei
com o nada
e aí?
descobri que
é algo
e vibra
mesmo que seja
nada
algo existe
(aí)


6.
voa
e pronto
deixa-me
(aqui)


7.
não importa
continuo
rebelde
sem rumo
na minha
só e sedenta
de um sorriso
mínimo
que seja

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Esquecimento


(Dançarina e pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)


aos poucos perco a fala
o contorno do tempo é intraduzível

já é tudo silêncio macio
é que qualquer palavra cairá
no vazio do esquecimento

o sentimento é intraduzível
e a ternura é um detalhe
que permeia a escuridão
de qualquer gesto inteiro
enquanto o tempo se esvai
lentamente pela noite
na pele de tantos sentidos

já perdi o perfume das ausências
e saudade é regresso de tristeza
mas não importa mais
as asas são para os pássaros
deixo que livres pousem e voem 
enquanto permaneço sempre
onde nunca e tudo bem

o passado não me tem
eu sou de ninguém



*

domingo, 25 de julho de 2010

Noturno

(São Paulo 100km - Luiza Maciel Nogueira)



gota, lágrima, orvalho, neve, frio
flor, sombra, luz, brio
te vejo, mas já não importa
o cansaço silencia
qualquer verso partido




*