Música!

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Olhar primeiro

Exercício de criação 4 proposto pelo Gambiarra Literária


Tanta coisa insiste em chamar os olhos. É quase como um grito ou uma ferida prestes a doer, mas ainda não dói. Ainda não. É início, novidade, louvor. Na janela: lá fora canta a ventania fina – meus olhos não vêem, mas o coração sente. Como os livros que jazem na estante a espera de serem devorados um por um – quem sabe um dia. Ah, essa parede branca à frente e a vontade de passar um pincel em tudo. Os pássaros cantam sempre atrás da porta, depois do muro – o mesmo muro de jasmins, lembra?

A amplitude do quarto me aflige, a brancura oferece a vontade de pintar e inventar. Os lápis ao lado me chamam e tudo que vejo passar é o pouco que fica no traço do mar. Não sei, mas é um chamado sempre ao novo e só sei que se vale a pena se espalhará cada vez mais.

Os pássaros ainda cantam, um Bem-te-vi e depois abro a janela para escutar melhor. A oração da vida deve ser essa: o cantarolar dos pássaros junto com o chiar da ventania. O trânsito lá fora é o mesmo cá dentro. Agora tudo se mistura loucamente e as coisas do quarto parecem que repousam numa paz profunda. Aqui só sinto uma tempestade sem fim querendo sair em tintas e mais tintas. Talvez o que repouse seja infinitamente mais sábio...





Rastros


(por Luiza Maciel Nogueira)



1. o caminho inicia quando em cada passo
surge uma nota que toca até o topo
e se multiplica enquanto segue rumo



2. notas nos pés
indicam o caminho
a seguir o canto
dos pássaros


3. toda nota
um dia foi passo
todo caminho
é feito de notas


4. o silêncio carrega  
uma pausa breve
entre as notas

só o silêncio
aprende a criar a nota
que da terra surge
e é gestada
multiplicando-se


5. quem quiser faça
do silêncio ou do som
sua cidade


6. poema bonito
pode ser torto
mal amado
e agredido?

ah, pode
o poema tudo pode


7. sete mini poemas
sujos
doem os olhos

mas o poema tudo pode
e isso basta
para tudo ser lindo










segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Réstia de luz

(por Luiza Maciel Nogueira)


Quisera naquele tempo ter dito que aquilo que rondava os nossos olhos era o próprio desejo: adormecia um poema.


Luzia nos olhos um poema adormecido, uma gota de esperança. E esse era todo o mistério a espera da dança, tão já a nutrir a semente de um encontro.

Como se não bastassem as palavras todas para dizer, o silêncio nos consumia e nós sorvíamos a réstia do tempo.


Pudera de repente multiplicar todas as sementes para semear esperanças sem futuro, todas presentes numa lágrima de luz. Apenas isso: luzia nos olhos uma lágrima de luz. Não me pergunte porque, é a prece do tempo amor e no tempo flui uma ventania onde escuta-se música...as notas do amor.

Certas coisas são isentas de explicação...e por favor não confunda palavras com verdade - é mentira - uma forma de querer tocar o nada, a réstia do tempo. Uma maneira insana de querer traduzir o tempo.


Sim, as palavras escondem a verdade, a saudade, iludem e não acredite amor. Duvide de tudo que não lhe toca. Duvide principalmente do que não te faz luzir os olhos.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

POEMA PARA CRIANÇAS

(Desenho para o poema de Murilo
por Luiza Maciel Nogueira)


"NÃO"
por Hilton Valeriano



"O Murilo sempre dizia não.

Não para o pente
Não para o Sente!
Não para o pudim
Não! Não sem fim...

O Murilo sempre dizia não.

Até que um dia
o Murilo descobriu
que não podia
o que não devia
e assim o Murilo
aprendeu o sim."




POEMA PARA CRIANÇAS

(Desenho para o poema: O Pardal
por Luiza Maciel Nogueira)




"O PARDAL"
por Hilton Valeriano

"Sobre os prédios e fios elétricos,
árvores, casas e parques,
o pardal faz da cidade
seu habitat.

Passarinho cinza
sob o céu nublado
seu canto alegra os namorados.

Em praças e avenidas,
ruas cheias ou vazias,
tudo é morada
para sua ninhada.

Pardal.

Passarinho cinza
sob o céu urbano
seu acalanto nos faz mais humanos."















sábado, 9 de outubro de 2010

POEMA PARA CRIANÇAS




"O mar e suas ondas
conchas e mais conchas
arrastam para as areias.

O mar e suas ondas
envolto em sereias.

O mar e suas ondas
barcos e pescadores
embalam sob o céu de gaivotas

O mar e suas ondas
em ilhas ignotas."







quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Reorientação"

Presente escrito por Marcantonio acerca de um comentário


em: http://azultemporario.blogspot.com/



"Sim.
Por que falar da grande nuvem atípica
que escurece o mar
e fecha os olhos sem pálpebras
dos peixes?


Se há azul
é porque acima vela o sol
que incendeia a consciência
viva e fixa
das minhas células
que não se sabem temporárias."


escrito por Marcantonio


(Pôr do sol - por Luiza MN)
em 07/10/2010



esse silêncio
anoitece a alma
brisa versamor






Minueto de pouca sorte

(Borboleta - Luiza MN)


no som do minueto
os vaga-lumes
tremeluzem no silêncio
de cada nota

acende
apaga
acende

silencia
burburinho
silencia

a borboleta
nem aí
voa

para um dia
pousar insone
nos braços
da escuridão





segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ela


(Branca - por Luiza Maciel Nogueira)



ela olha pra você
ela te vê

a foto te diz
dos olhos dela 
nos olhos: ela

Sonho

(Sono por Luiza Maciel Nogueira)



oscilações do silêncio
nada e tudo
moram apenas numa palavra
dependendo do sonhador

o sono sereno de Catarina
nega a falta do amor
dizia ela que tudo era
amor, ternura e silêncio

o nada* era o tanto 
o canto era o nada*





*(amor, ternura e silêncio)




sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Voz

Toda palavra tem seu limite. Eu queria amor era através do silêncio superar todas as barreiras, mas também o silêncio tem seu limite que o nada infinito por ser livre demais, prende através da ferida.

Às vezes é preciso uma palavra apenas que dê início ao horizonte, mas te digo em segredo que as minhas esperanças tinham exaurido quase completamente diante do nada...cheguei a pensar que nunca mais voltaria essa voz que insiste em escrever para um ti, um ti sem destino, um ti desconhecido. Senti por instantes que seria o fim, sem mais os recomeços que me acompanhavam, apenas banhado à tristeza, multiplicando cada vez mais a perda desses poemas diários que "passam por nós e não vão sós"...

e assim compreendi, é preciso não ter nada para dizer para escrever, que só assim se diz do nada, o nada que dá margem a tudo e desse tudo eleger apenas uma gota, um pequeno poema que nos toque. Nos versos poder dizer da lágrima que toca quando a nota do tempo se esvai.

Calma. Escuta, o tempo também volta na lembrança. A lembrança também passa quando o sentido falece. O sentido é sem sentido. Por vezes o sentido é o encontro. E é preciso haver desencontros para se encontrar. Vês, é tudo é uma questão de tempo...

Já tinha saudades tuas, desse ti sem destino. Tomara que um dia nos encontremos na dança, nem que seja apenas por segundos, para um poema poder nascer em nós...



( por LuizaMN)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cecília Meireles

(Jardim de luz - por Luiza Maciel Nogueira)



"Para onde é que vão os versos"

"Para onde é que vão os versos
que às vezes passam por mim
como pássaros libertos?

Deixo-os passar sem captura,
vejo-os seguirem pelo ar
- um outro ar, de outros jardins...

Aonde irão? A que criaturas
se destinam, que os alcançam
para os possuir e amestrar?

De onde vêm? Quem os projeta
como translúcidas setas?
E eu, por que os deixo passar,

como alheias esperanças?"




Ah Cecília!

Essas esperanças que esperam
pela nossa dança!

Tanta chuva já inicia nos olhos
e tudo pelo sorriso, tudo pela dança
do instante mais bonito...

ainda que o tempo passe
todo verso permanece intacto.
A poesia brinca de eternidade.

A beleza um presente infinito...
assim como teu sorriso!




E assim Cecília pensei que os versos vão até o infinito de cada olhar, quando o enquanto encontra o agora...ou seria loucura afirmar tamanha barbaridade? Que o verso voa pelos ares sem morada nem destino, sem resposta nem mistério.  Apenas voa...apenas. Sabe-se lá para onde...




quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Poema de pouco amor

(Praia do Mar Casado - por Luiza Maciel Nogueira)


procuro um poema simples
que case com areia e mar

no encontro das ondas
nos olhos vibre a palavra
vezes seguidas sem conta
no silêncio de um verso
de tão pouco amor

 





quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Adiante

(Pássaros a voar - por Luiza Maciel Nogueira)




voe em outra senda
vá longe

(bem longe)

até que a distância
se torne proximidade
e então voe
ainda mais longe
porque amor
o tempo não espera
a gente voltar
então voe e voe

(além mar)







Haicais de pouso

(pássaros nos fios - por Luiza M.N.)



(já nada)
nada nas mãos
vento já não balança
nas tardes findas


(mudez)
pássaros nos fios
silenciam o canto
para depois


(esperar a dança)
após o sonho
criam-se outros sonhos
de esperança



(cansaço)
cansaço solar
uns dias no escuro
a lacrimejar



(suspiro)
já não resulta
fingir custa bem caro
deixa-me partir



(simples)
na escuridão
pela mínima luz
é fácil sorrir



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

(...)

(Restos - por Luiza Maciel Nogueira)



arte que vale a pena
faz amor
nos olhos, nos ouvidos,
em todos os sentidos
de qualquer jeito

(e foda-se...)