Exercício de criação 4 proposto pelo Gambiarra Literária
Tanta coisa insiste em chamar os olhos. É quase como um grito ou uma ferida prestes a doer, mas ainda não dói. Ainda não. É início, novidade, louvor. Na janela: lá fora canta a ventania fina – meus olhos não vêem, mas o coração sente. Como os livros que jazem na estante a espera de serem devorados um por um – quem sabe um dia. Ah, essa parede branca à frente e a vontade de passar um pincel em tudo. Os pássaros cantam sempre atrás da porta, depois do muro – o mesmo muro de jasmins, lembra?
Tanta coisa insiste em chamar os olhos. É quase como um grito ou uma ferida prestes a doer, mas ainda não dói. Ainda não. É início, novidade, louvor. Na janela: lá fora canta a ventania fina – meus olhos não vêem, mas o coração sente. Como os livros que jazem na estante a espera de serem devorados um por um – quem sabe um dia. Ah, essa parede branca à frente e a vontade de passar um pincel em tudo. Os pássaros cantam sempre atrás da porta, depois do muro – o mesmo muro de jasmins, lembra?
A amplitude do quarto me aflige, a brancura oferece a vontade de pintar e inventar. Os lápis ao lado me chamam e tudo que vejo passar é o pouco que fica no traço do mar. Não sei, mas é um chamado sempre ao novo e só sei que se vale a pena se espalhará cada vez mais.
Os pássaros ainda cantam, um Bem-te-vi e depois abro a janela para escutar melhor. A oração da vida deve ser essa: o cantarolar dos pássaros junto com o chiar da ventania. O trânsito lá fora é o mesmo cá dentro. Agora tudo se mistura loucamente e as coisas do quarto parecem que repousam numa paz profunda. Aqui só sinto uma tempestade sem fim querendo sair em tintas e mais tintas. Talvez o que repouse seja infinitamente mais sábio...




