Hoje não estou. Fui navegar nos mares dos sentidos onde os peixes dançam a esperança e a calma cerca toda a água para proteger os peixes de pularem em abismos. Lá encontrei uma pequena flor que murchava sem água, lamentando tanta coisa que transbordava de inquietude. Era preciso fazer algo então reguei ela delicadamente. Coloquei ela em minhas mãos e disse "florzinha você é linda assim desse jeito mesmo seu". Para minha surpresa a florzinha respondeu com seu brilho de flor com vontade de derreter nas minhas mãos. Suas pétalas caíram, mas lá estava ela viva dentro do meu coração.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Poeminha dos encontros que vão e vem
(fotógrafo desconhecido - quem souber favor informar)
Os encontros vão e vem.
A vida é ciclo que não para.
Mexe, remexe, alegra e entristece.
É ciclo que gira a roda.
É redemoinho que roda dentro.
É espaço de esperança que não espera.
É dança que roda viva nos ares!
É morte, é sangue, é nascimento.
É sombra, é luz, é dor.
É tudo que nos acolhe e rejeita.
É o que não sabemos que brota.
É o que brotou sem nem percebermos.
É vida que nos gesta.
Nos joga, nos lavra, nos arranca.
Nos faz de palhaços e nos coloca a rir
logo a seguir.
A vida é esse ciclo que não para.
*
terça-feira, 30 de maio de 2017
Poema do sangue da barata
não tenho sangue de barata
não tenho coração de pedra
tampouco sou vampira
minha religião é arte e poesia
prezo pelos mínimos
até a infinitude do Ser
pela imaginação, pelos sonhos,
pela essência do mundo
este que está a girar diante de nós
aprendi que eu nada sei de coisa alguma
que qualquer julgamento que eu fizer
é um espelho da minha própria face
tão podre quanto
tão corrupta quanto
tão vazia quanto
tão louca quanto
tão criança quanto
dessas que esperneiam e se jogam no chão
porque afinal só querem ser amadas
e num abraço o mundo pode girar
das coisas sem explicação
entrego ao universo
meus pontos de interrogação
o sentido da vida é tanto mais sentir
a inexplicabilidade das coisas em vão
do que encaixar em algum teorema
que não caberá no seu coração
e é justamente por ser infinito
que o homem não é passível de explicação
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Poema de Sombras Deserdadas
várias de nós caminham
pela caixa escura, dura, nos procura
no tempo sem tempo de ninguém
ninguém nos abre a porta
talvez essa maldita porta seja apenas
essa doce amarga ilusão
o céu azul nos brilha
nos despe a pele sombras frias
o sol nos toca mas já não pressentimos
a desilusão nos banha mas já não ligamos
depois já quase nada nos toca
quanto ver dançar o pensamento
procuramos no final da partitura
revoamos nas asas o nosso adeus
nossas milhares de sombras
entristecem não saber voar
neste deserto de sol desconexo
lágrimas que não adiantam
derramar
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Poema para sair da caixa
no chão tremem as sombras
derramam assim como lágrimas
a dor do outro é também nossa
o que ele escolhe não ver
escolhemos não sentir
véus erguem-se sob a percepção
o que dói é o desencontro
ambos errados, teimam terem certezas
assim o homem constrói seu preconceito
espaço onde julga o vazio do outro
se fecha na sua caixa e não percebe
a multidão de caixas ao seu redor
se encolhe e fica paralisado no tempo
preso no espaço de sua pequenina caixa
assim as vidas se desencontram
assim a violência é gestada
assim a prisão é cultivada
esse mesmo homem
que nasceu para voar
imaginar as impossibilidades
sorver o infinito
nas palmas das mãos
perde tempo
preso dentro de sua caixa
Luiza Maciel
domingo, 14 de maio de 2017
Poema para a mãe da gente
a mãe da gente sempre fica
não importa se ela se foi
fica na pele, na lembrança, na história
é mãe sempre
dedica o corpo, a vida, a alma à sua cria
carrega no ventre a sua alegria
é mãe para sempre
que cuida, que dá alimento,
que vê sua cria crescer
sorri o primeiro sorriso da cria
torce por cada passo conquistado
até o andar, que alegria!
sofre por cada lágrima derramada
mas sabe que a cria tem que aprender
com seus próprios pés a arte de viver
por isso a mãe da gente ensina até certo ponto
o ponto que cada um escolhe aprender
depois cabe a cria se ensinar a viver
a mãe da gente sempre fica dentro da gente
a nos dizer baixinho que ama a gente
não importa o nosso caminho
puxará a orelha se for preciso
porque já adultos a mãe da gente
é a consciência nossa a nos chamar
"vá em frente menino, a vida não vai parar!"
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Poema to let go
demoramos tempo demais
para reaprender a se entregar
as coisas são como são
eu sei que não existe perdão,
se nem coração existe
existe o que existe
nos lugares que menos esperamos
a algazarra acontece
o beijo da vida é dado
e caminha para um abraço
lá na frente
"aqui, ali, em qualquer lugar"
como Rita Lee quando canta The Beatles
como as coisas que nos batem na porta
para nos ensinar to let go
porque quando você arranca uma flor da sua morada
porque quando você arranca uma flor da sua morada
ela morre devagar
as coisas são como são
porque é tão difícil aprender a entregar
nosso suspiro
quando prender pássaros em gaiolas
nos fará enjaulados
e o contrário deixar o pássaro voar
será também se libertar
saberemos nos entregar?
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