Música!

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sábado, 10 de junho de 2017

Intuição


quando o coração sussurra
"Vá por ali"
é para lá que deves ir
entregar ao tempo a fruição de ser irracional
fechar os olhos e ver claramente
tatear a escuridão no fundo dos abismos
sorver a ânsia de ser cria da terra
um pedaço da eternidade do mundo
um grão de flor da areia desse deserto
que dança com o vento 
ao redor da tempestade 
junto com os seus 
pequeninos grãos dançantes
dispersos na dor de ser temporal
e assim abrir o coração 
ao movimento incessante 
da vida em caos
com um sorriso nos lábios 
ao chorar rios de mudos absurdos
desse delírio coletivo que nomeamos mundo
sem palavras ela nos silencia 
e assim a indescritível força nos toma
"Vá por ali"
e é preciso seguir

Luiza Maciel Nogueira

Desafio Poético-Temático: Intuição
Tânia Regina Contreiras
Imagem/Web

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Poema beijo de sombra

bastava escorrerem 
os delírios pela boca 
estes que segredavam ao ouvido 
o som da chuva 
as sensações brotavam 
como flores na pele 
despetalavam indecifráveis 
o véu se erguia infinito 
as sombras dançavam seus prantos 
gota a gota 
recolhidas por mistérios 
na beira da nossa 
nua, crua e tua 
imersão


*

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Poema ao amigo

(em lembrança a Vinicius de Moraes)



e assim a vida acontece 
as sombras se casam, os beijos se calam, 
as flores brotam, a terra germina 
o tempo se multiplica nas lembranças revisitadas 
o presente fica e vai, vai e fica 
na dança de cada momento e assim nesse ínterim 
 as coisas nascem, as coisas vivem, as coisas morrem
o universo gira na criança 
que sorriu, que aprendeu, que dançou, 
que viveu, que sofreu, que amou, 
que derramou lágrimas de areia e mar 
que foi ser horizonte, 
estrela, pedra, pássaro, música ou joaninha 
para tocar alguém e oferecer a sorte de ser pensamento 
e assim a vida continua meu amigo 
vai e engata a primeira até o infinito 
não te limites o pensamento 
a pensar ser muro o universo inteiro 
a vida é esse voo que não para 
é esse infinito que continua a nos sorrir 
assim que o sorriso nos chega é preciso se despedir
e virão as tempestades, os vendavais, as chuvas de granizo
mas meu amigo a vida é esse sorriso 
vai e engata a primeira até o infinito


(Ilustração: Luiza Maciel Nogueira)

sábado, 3 de junho de 2017

Poema dependurado

era melhor eu não te dizer das flores
dos rios, das cachoeiras que seguiam
era melhor que eu guardasse em mim
os presentes que me destes
sem anunciar aos sete ventos 
o bem que me fizesses
era melhor que eu não te dirigisse a palavra
para não correr riscos no vazio
era melhor que nossos corpos 
nunca mais se encontrassem
pois eu não suportaria te ver 
sem te beijar, sem te querer
te suportar eu não suportaria
era melhor eu me silenciar
pois o coração é um lugar sagrado
e eu não poderia deixar entrar
quem insiste em querer sair


*arte- Gaetane Lavoie

Poema do livro que não te dei

Resposta ao 185° desafio poético em imagens sugeridas por Tânia Regina Contreiras

Poema do livro que não te dei 

tantas paginas escrevi
para que nunca fossem lidas
escrevi que você era maravilhoso 
não te entreguei pois achei que já tinhas
o rei na barriga menino
não sei se te entregasse
sua auto estima melhorasse
e seu umbigo poderia virar de fato rei
rei em plenitude de sorrisos
mas resolvi não arriscar dessa vez
já que naquele livro guardei sozinha
tudo que eu vi em ti menino
e não foram poucos encantos e entretantos 
tanto que a infinitude ainda me visita
mesmo sem você por aqui

 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Prosinha: hoje não estou

Hoje não estou. Fui navegar nos mares dos sentidos onde os peixes dançam a esperança e a calma cerca toda a água para proteger os peixes de pularem em abismos. Lá encontrei uma pequena flor que murchava sem água, lamentando tanta coisa que transbordava de inquietude. Era preciso fazer algo então reguei ela delicadamente. Coloquei ela em minhas mãos e disse "florzinha você é linda assim desse jeito mesmo seu". Para minha surpresa a florzinha respondeu com seu brilho de flor com vontade de derreter nas minhas mãos. Suas pétalas caíram, mas lá estava ela viva dentro do meu coração.  

 

Poeminha dos encontros que vão e vem



(fotógrafo desconhecido - quem souber favor informar)


Os encontros vão e vem.
A vida é ciclo que não para.

Mexe, remexe, alegra e entristece.
É ciclo que gira a roda.
É redemoinho que roda dentro.
É espaço de esperança que não espera.
É dança que roda viva nos ares!
É morte, é sangue, é nascimento.
É sombra, é luz, é dor.
É tudo que nos acolhe e rejeita.
É o que não sabemos que brota.
É o que brotou sem nem percebermos.
É vida que nos gesta.
Nos joga, nos lavra, nos arranca.
Nos faz de palhaços e nos coloca a rir
logo a seguir.

A vida é esse ciclo que não para.


*