Música!

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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Olhar o sol

E se for tão simples quanto olhar o sol ao nascer e/ou ao se pôr?
Não custa nada tentar e ver no que dá...


Poema do despetalar

Para uma fotografia de Miguel Rio Branco

no desabrochar lento das pétalas
assim a flor mostra seu percurso 
rumo à existência 
ela se deleita da vida 
até despetalar
na entrega ao tempo
até o seu encontro com o mistério 
a infinitude a carrega nos seus braços 
e ela apenas se entrega 
ao despetalar

assim nos é possível ser flor
e parar de guerrear
deixar o tempo nos tocar
desabrochar
até despetalar


*fotografia de Miguel Rio Branco 

 

terça-feira, 4 de julho de 2017

A sonhar cores




Sempre nos soube verde, vermelho, laranja, amarelo e azul. A temperatura do corpo diz mais da gente. Qualquer outro retrato é mera mentira. Essa é a nossa verdadeira cor. Verde como as plantas, vermelho como o sangue, laranja e amarelo como o sol e azul como o mar, por vezes claro por vezes escuro a depender da profundidade do sonho. São essas as nossas cores verdadeiras. Somos uma mistura de tudo um pouco. Aqui e ali continuamos a seguir.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Poema pisca pisca luz




pisca pisca a luz das vidas
cada prédio pisca pisca 
uma luz pisca
pisca pisca a saliva
pisca pisca a palavra pisca
pisca um olho ali
pisca pisca pra mim 
num beijo que pisca
pisca pisca a poesia pisca
pisca pisca o silêncio pisca
pisca pisca o que pisca pia
pia pia o pássaro que pia
pia pia a pia que te espera 
lava lava com sabão a boca
lava lava a lava do vulcão
cão que quer o pão 
pão que quer barriga
barriga que quer roncar
ronca ronca a infinitude
do sonho que pisca pisca
na barriga vazia que quer sonhar
com um pisca pisca no ar


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Poema para ampliar a percepção


(Van Gogh)

vejo inúmeras árvores 
que um dia já foram sementes
a natureza as plantou, 
que um dia foram brotos, 
a natureza as gestou
que hoje são árvores

dos inúmeros processos ao nosso redor
daquela casa que foi construída
tijolo por tijolo 
por pessoas que já estiveram aqui
que nasceram, cresceram, viveram, morreram
aquele livro 
que nasceu da mente de um ser, vários
que passou por inúmeras influências, 
leu diversos livros
caminhou muitas estradas
transmutou sentimentos, vivências, razão em palavras
e agora cá se encontra em páginas diante de nós
aquela música 
que já foi imaginação na(s) cabeça(s) do(s) músico(s),
que transmutou sentimentos, vivências, imagens em sons 
esforço contínuo de aperfeiçoamento do som
e agora cá está pronta para ser desfrutada
aquele alimento que está na mesa
e já foi semente, planta, colheita
a ser preparado, cozinhado, carregado
e agora digerido dentro de nós
a roupa que nós vestimos
que já foi idéia, fio, suor de alguém
dos inúmeros processos
aquela pessoa que foi gestada por sua mãe
que foi bebê, criança, adolescente
e cresceu até se tornar adulto
todos os seres, coisas, objetos, idéias
que agora cá estão diante de nós
nesse beijo do agora

tudo que ao nosso redor está
e que um dia já foi apenas 
idéia, semente, pó





terça-feira, 27 de junho de 2017

Poema do silêncio das coisas

o silêncio das coisas nos captura
a natureza se movimenta em vórtices
ciclos de gestações, vidas e mortes
das presenças e das ausências dos sentidos
crescer é deixar o vazio nos tocar
guerrear contra as vidas e contra as mortes
à qualquer custo
abrir espaço para as coisas dançarem
dentro de nós
aquela árvore de Monet quer nos sussurrar 
seu mistério
aquela obra de Picasso quer fragmentar
o que em nós precisa ser quebrado 
desesperadamente
aquela obra de Van Gogh quer nos mostrar
a natureza das essências, dos redemoinhos, 
dos ventos, dos tempos em movimentos
aquele amor quer te fazer sonhar, 
sorrir, chorar, cantar, viver, ser, amar
aquele desamor chega para se ir
aquele final de música quer nos revelar o início 
daquilo que não tem nome 
e fica mesmo quando se vai



Arte: Claude Monet
Jardins Sales Antibes



domingo, 25 de junho de 2017

Poema de toda, tanta

de toda, tanta beleza presente
o mar soube como sempre
nos encantar com seus brilhos
a nos afagar com suas águas 
no toque da pele
os barcos deslizavam melodias
e era a infinitude que nos beijava
o sol nascia no início do traço 
rasgavam as sombras ao meio
e a verdade se via discreta
nenhuma ilusão nos tinha
as coisas se eram, nós estávamos
prenhes de ternura
dessa vez era a simplicidade 
que nos abraçava 
e nos cantava bem baixinho
o nosso desesperar
os barcos se iam 
acenavam uma nova viagem

a vida tem dessas coisas 
de nos trazer encantos
entre tantos entretantos 
tanto enquanto nascer
quando a coisa nos toma
e nos mostra seu vazio
quando o ser emerge da coisa
e o sonho se vê


Arte: Claude Monet
"nascer do sol"