Música!

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Poema para o mapa dos teus olhos

Quando tiver desaparecido do mapa dos teus olhos 
talvez já esteja no país do teu coração...

assim meu amor
as coisas que desaparecem 
nos habitam em outros espaços 
quando não mais te chamar
quando já estiver distante demais
cansada demais, 
para dizer qualquer palavra 
quando me deixares ir 
caso nunca mais nos encontremos
saberás que estarei em outros espaços 
às vezes é preciso deixar ir as impossibilidades
sorver novos perfumes, caçar novas idéias
deixar a poeira acalmar, 
abandonar algumas certezas
abrir novos pontos de interrogações
não é suposto entender o porque das coisas
vivemos para sorver das infinitudes no vazio
para contemplar o tempo que se vai
nesse instante que escolhemos parir
aquele pedaço de esperança em outros cantos
inimagináveis doçuras nos aguardam
assim é possível que um dia 
eu já esteja na tua infinitude
sem perceberes
pois em mim já habitas desde o início
todo o silêncio 
e os poemas, as músicas, os gritos 
estes são aqueles silêncios 
que formaram teus sons 

08/07/2017

Poema de fogo nos lábios

Desafio do cotidiano
Tema: quando os meus lábios pegaram fogo

quando os meus lábios pegaram fogo
e incendiaram as nossas peles
juntos nesse vendaval de labaredas 
na dança dos vagalumes no corpo
fagulhas a desabrochar ternuras
sob nossas mãos 
quando a rubra pétala cair
e de tanta solidão sorrir
teremos nos perdido para sempre
em nós

 

Poema da fresta que me resta

Desafio com imagens proposto por Tania Contreiras

a fresta que me resta
mesmo essa que não presta
é ela que me faz
ir atrás dessa tão ilusória paz
no caos que germino
sob a parede que me destes
soletro silêncios 
do outro lado nada se escuta
além desse querer se ir
sem se ir
Indo

pois então vá
desbrave o horizonte
salte de paraquedas
seja criança e vá se divertir
ir-se é o destino do tempo
que gira 
então gire
fique tonto, caia, 
levante menino

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ZZZ





Quando o cansaço chega e só dá vontade de dormir ou se fingir de morto.


ZZZ

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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poema da minha maior solidão

Quinto desafio poesia no cotidiano.
Tema: minha maior solidão.

minha maior solidão 
foi quando percebi que eu não tinha culhão
para segurar meu próprio coração 
foi quando ele já não era ele
e eu já não me era
foi a primeira vez que me deparei comigo
e pude ver sem máscaras 
o bicho feio que eu era
que de tão feio e ridículo
tornou-se charmoso
foi quando me apaixonei
pela minha feiura
o ridículo tornou-se piada
sorri diante do espelho
e a minha solidão foi comemorada
com uma torta na cara





domingo, 23 de julho de 2017

Poeminha de riso inútil

190º Desafio Poético com Imagens

Arte: Waldemar Max

poeminha de riso inútil 

quando o trilho do trem
nos leva à escuridão 
e nessa jornada
tateamos o coração 
no meio do nada
nasce a piada

Minha primeira vez com a morte

QUARTO DESAFIO "POESIA DO COTIDIANO" 

TEMA: MINHA PRIMEIRA VEZ COM A MORTE

Minha primeira vez com a morte negociei com a vida. Passo por tudo isso mas me deixe viver disse a ela. E ela me deu seu troco. Me cobriu com seu manto. Quase morta estava nas tuas mãos. Meus delírios me salvaram. Lírios que me alucinavam no nascimento do inomeável. A ilusão me guiava pela floresta mal assombrada. Minha morte foi negociada para outro dia. Das outras vezes com a morte não foram tão fáceis que uma hora decidi morrer. Tanto que hoje sou fantasma para quem vive. Poeira cósmica para quem sonha. Não tenho corpo palpável. Sou um pedaço da vida e da morte. Das estradas que passei, dos amores que matei, das pessoas que morreram dentro de mim assassinadas diante do grande silêncio. Tenho não uma, mas milhares de vezes que a morte por mim passou e eu morri. De braços abertos eu morri sem me debater, sem me despedir.