Música!

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sábado, 5 de agosto de 2017

Poema do ovo na gaiola

192o Desafio poético com imagens da poeta Tânia Contreiras!

A imagem é uma pintura de Rene Magritte.


um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

nascemos em uma prisão

ninguém nos salva dessa gaiola

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da gaiola

é sonhar a liberdade

com uma porta aberta

para outra gaiola ir

ou imaginar que vamos 

para outras gaiolas

sem sabermos presos 

estamos dentro da mesma gaiola

aquela mesma que nascemos

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da mesma gaiola

e embora tentemos 

não é possível enfeitar a dor

de ser sempre um ovo 

preso dentro de sua íntima gaiola


Luiza Maciel Nogueira


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poema para delirar

Estudo da Natureza para delirar uma pintura V
Luíza Maciel Nogueira

já perdi as contas das tantas vezes 
que tentei te delirar versos 
das infinitudes que nos cercam
ainda hoje não sei se sabes
mas o mundo é muito maior
do que podemos imaginar
é muito pouco ainda aquilo que te digo
por isso só silencio quando não mais existir
o tempo é demasiado curto
para silêncios meu bem
eu quero um dia chegar pelo menos perto 
de delirar uma árvore inteira
ainda é demasiado pouco 
o que tenho para te ofertar
o mundo é muito maior 
do que podemos imaginar

Luiza Maciel Nogueira



Poema de muita educação

 
Foto: Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

certas notícias surgem a preto e branco
violências, assassinatos, injustiças e tanta tanta corrupção
é PM, judiciário, governo, eu, você e o universo inteiro
ninguém escapa dessa podridão
e fede entre aqueles que tentam a todo custo
se esconder atrás da negação
“eu não roubei nada só peguei emprestado,
afinal todos pegam só peguei por educação.”
e a história continua a Maria que vai com a outra Maria
que repete a educação da outra Maria
só por educação...

*

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Poema para dançar por aí

Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

a cada vez que o vento com as folhas 
sussurram seu canto
um rio quer me cair na face
como chuva pingo a pingo
eu sinto aquele tempo 
onde os segundos deliravam com o vento
e os pássaros alucinavam suas canções 
ainda no tempo de brotar ternuras no ar
de prometer loucuras que nunca se faz
de arder de sonhos perdidos na praça 
das impossibilidades que todo poema jorra
nesses silêncios que já se foram
e que estão sempre por aí

(nessa dança de tanta 
toda infinitude)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Poema do canto da dança nos olhos

as folhas ao caírem da arvore
compõem a dança da poesia
em movimento
as crianças ao redor brincam
os pássaros voam
a infinitude canta logo ali
e também nos teus olhos 
canta a infinitude

 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Poema para o mapa dos teus olhos

Quando tiver desaparecido do mapa dos teus olhos 
talvez já esteja no país do teu coração...

assim meu amor
as coisas que desaparecem 
nos habitam em outros espaços 
quando não mais te chamar
quando já estiver distante demais
cansada demais, 
para dizer qualquer palavra 
quando me deixares ir 
caso nunca mais nos encontremos
saberás que estarei em outros espaços 
às vezes é preciso deixar ir as impossibilidades
sorver novos perfumes, caçar novas idéias
deixar a poeira acalmar, 
abandonar algumas certezas
abrir novos pontos de interrogações
não é suposto entender o porque das coisas
vivemos para sorver das infinitudes no vazio
para contemplar o tempo que se vai
nesse instante que escolhemos parir
aquele pedaço de esperança em outros cantos
inimagináveis doçuras nos aguardam
assim é possível que um dia 
eu já esteja na tua infinitude
sem perceberes
pois em mim já habitas desde o início
todo o silêncio 
e os poemas, as músicas, os gritos 
estes são aqueles silêncios 
que formaram teus sons 

08/07/2017

Poema de fogo nos lábios

Desafio do cotidiano
Tema: quando os meus lábios pegaram fogo

quando os meus lábios pegaram fogo
e incendiaram as nossas peles
juntos nesse vendaval de labaredas 
na dança dos vagalumes no corpo
fagulhas a desabrochar ternuras
sob nossas mãos 
quando a rubra pétala cair
e de tanta solidão sorrir
teremos nos perdido para sempre
em nós