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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A poesia salva?


193º Desafio de imagens da poeta Tânia Contreiras

A poesia salva?

A poesia salva?

A poesia é sal de mar 
a ondular na boca.
É o pó que me deixa louca.
É purpurina que acende 
a beleza daquilo que passa.
É pássaro que voa 
no coração que perdoa.
E deixa passar 
a fumaça da lágrima 
a sorrir no ar.
É rastro de amor que goteja.
E leve o sol, o raio, a luz
que acende na escuridão 
que transcende.
A poesia salva a esperança.
É ela que espera toda a dança
das palavras incendiarem 
lembranças...
Três pontinhos de ilusão...
poesia é silêncio que se germina
na lágrima que não se quer
derramar...

*


sábado, 5 de agosto de 2017

Poema do ovo na gaiola

192o Desafio poético com imagens da poeta Tânia Contreiras!

A imagem é uma pintura de Rene Magritte.


um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

nascemos em uma prisão

ninguém nos salva dessa gaiola

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da gaiola

é sonhar a liberdade

com uma porta aberta

para outra gaiola ir

ou imaginar que vamos 

para outras gaiolas

sem sabermos presos 

estamos dentro da mesma gaiola

aquela mesma que nascemos

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da mesma gaiola

e embora tentemos 

não é possível enfeitar a dor

de ser sempre um ovo 

preso dentro de sua íntima gaiola


Luiza Maciel Nogueira


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poema para delirar

Estudo da Natureza para delirar uma pintura V
Luíza Maciel Nogueira

já perdi as contas das tantas vezes 
que tentei te delirar versos 
das infinitudes que nos cercam
ainda hoje não sei se sabes
mas o mundo é muito maior
do que podemos imaginar
é muito pouco ainda aquilo que te digo
por isso só silencio quando não mais existir
o tempo é demasiado curto
para silêncios meu bem
eu quero um dia chegar pelo menos perto 
de delirar uma árvore inteira
ainda é demasiado pouco 
o que tenho para te ofertar
o mundo é muito maior 
do que podemos imaginar

Luiza Maciel Nogueira



Poema de muita educação

 
Foto: Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

certas notícias surgem a preto e branco
violências, assassinatos, injustiças e tanta tanta corrupção
é PM, judiciário, governo, eu, você e o universo inteiro
ninguém escapa dessa podridão
e fede entre aqueles que tentam a todo custo
se esconder atrás da negação
“eu não roubei nada só peguei emprestado,
afinal todos pegam só peguei por educação.”
e a história continua a Maria que vai com a outra Maria
que repete a educação da outra Maria
só por educação...

*

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Poema para dançar por aí

Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

a cada vez que o vento com as folhas 
sussurram seu canto
um rio quer me cair na face
como chuva pingo a pingo
eu sinto aquele tempo 
onde os segundos deliravam com o vento
e os pássaros alucinavam suas canções 
ainda no tempo de brotar ternuras no ar
de prometer loucuras que nunca se faz
de arder de sonhos perdidos na praça 
das impossibilidades que todo poema jorra
nesses silêncios que já se foram
e que estão sempre por aí

(nessa dança de tanta 
toda infinitude)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Poema do canto da dança nos olhos

as folhas ao caírem da arvore
compõem a dança da poesia
em movimento
as crianças ao redor brincam
os pássaros voam
a infinitude canta logo ali
e também nos teus olhos 
canta a infinitude