mistério ante mistério
a poesia jorra fétida
do esgoto molha o asfalto
declama o verso que respinga
chuva que derrama
na cidade que incendeia
toda luz que finda
sua breve despedida
arde o encontro
ao se desencontrar
que ao cantar silencia
e ao escrever apaga
toda lembrança que trança
nesse vai e vem a dançar
e reatinge outro tempo
no sem tempo
de quem tece
seu olhar
Foto: O silêncio canta seus mistérios. Escutas? XIX lado A



