Música!

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sábado, 9 de setembro de 2017

Poema de cansaço e silêncio

199º DESAFIO POÉTICO COM IMAGENS - ANO IV:

balança ali o passado
a sombra da infância 
esquece de esquecer
o que não aprendes a recordar
nessa lembrança que atravessa
a espinha de silêncio 
desse silêncio que não sabes amar
dessa ausência desmentida
ao limite do cansaço
um silêncio cheio de mistério 
um mistério cheio de cansaço 
um cansaço cheio de nuances
das nuances sem sorrisos
prefiro esquecer a recordar
o quanto esqueci
e por esquecer a rememorar me perdi
já não tenho vontade de dizer
e por isso chegou a hora de me calar
as palavras nos traem a verdade
essa mesma que vibra ao redor de tudo
não me é suposto dizer
daquilo que não sei amar
por isso agora só o silêncio 
pois só o silêncio nos guiará

Geren

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Mario Quintana

"Do bem e do mal 

Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos. 
Não há coisa na vida inteiramente má. 
Tu dizes que a verdade produz frutos... 
Já viste as flores que a mentira dá? "

Mario Quintana



"Da Perfeição da Vida 

Por que prender a vida em conceitos e normas? 
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer... 
Tudo, afinal, são formas 
E não degraus do Ser! "

Mario Quintana


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Miguel Torga



Sísifo



Recomeça....

Se puderes

Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.




E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Poema de raízes (para todos aqueles que sangram)



já tentaram cortar as minhas raízes
e sim eu sangrei na solidão que me despia
já me arrancaram a infância
e sim hoje sou criança
já partiram meu coração e o pisaram 
e sim foi dando risada em voz alta
que já tiraram boa parte de mim
mas eu sobrevivi e cá estou
minhas raízes me sustentam 
e eu vôo quando não aguento



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poema de sangue em despedida

despeço o tempo do tempo
um convite já não adianta
a ferida aberta sangra
já se foi tempo demais 
feridas demais
hoje não te darei esperanças 
o meu desesperar canta
nosso sangue dança pela estrada
funde no tempo que se foi
junto com um tempo que nunca será
através do tempo que está
lacrimeja o tempo sem tempo
na gota da nossa infinitude
cante todas as músicas mesmo assim
e jamais pare amor
para que um dia depois de tanto cantar
alguém te escute
e como um beijo
alguém possa te amar e se perder
e que de tanto amor
o sol possa nascer

sábado, 19 de agosto de 2017

Poema da loucura dos espaços ocos


https://youtu.be/4GjrJ4NF5oU

Poema da loucura dos espaços ocos a loucura dos espaços ocos são deliciosamente infindos um buraco negro de versos qualquer palavra jogada voará sabe lá para onde fará sabe lá o que o mistério as abraçará a solidão as beijará a indiferença de uns será a ternurinha de outros nada sabemos desse destino naquele sorriso poderão existir rios, mares, cachoeiras de lágrimas naquela lágrima existirão inúmeros sorrisos os espaços ocos habitam mistérios indecifráveis pontos de interrogação hoje não me atrevo a tocar a brancura alva no alvo de te amar me atrevo a invadir a loucura de te sorrir nesse espaço sonho sorrisos a multiplicar paraísos nas profundezas desses mares te ofereço essa chuva de sangue em versos minhas veias teimam constelações espero sempre pelas estrelas brilharem ao contemplar a noite nesse buraco negro, nesse negro manto da noite, nessa oca infinitude brilham as estrelas a noite canta, a infinitude dança e tudo é esperança

por Luiza Maciel Nogueira Especialmente para Arte de Jeannette Priolli