Música!

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sábado, 30 de setembro de 2017

Poema para preencher algum vazio

não que eu seja alguém
e essas palavras possam significar algo
ou quem sabe preencher algum vazio
caído já no esquecimento de qualquer abismo
mas tu sabes da minha ternura
já te disse muitas vezes
e infelizmente essa ainda me consome
desde acordada até a hora de dormir
por ti meu mundo gira
ultimamente não tenho te dito muito
o silêncio tem sido meu cobertor
as palavras tem sido escassas
mas estou sempre aqui sem que me vejas
sem que me saibas
em silêncio te amo
sempre que posso mando-te um pedaço de mim 
para cobrir-te nas noites frias 
ainda que seja insuficiente
é tudo que tenho para te oferecer
meu coração despedaçado 
não me permite te perder
ainda que eu nunca tenha te encontrado
ainda que nunca tenhas me amado


*

Poema a sorrir para a morte



estive a pensar na necessária distância 
daquilo que quer se separar de nós
e apesar de não querermos essa separação 
de nos agarrarmos ao vazio, ao inútil, ao nada
é preciso deixa-lo ir de tempos em tempos
e de tempos em tempos nos despedir
ainda que as palavras não se bastem
para comunicar o intraduzível 
e nossa presença já não resulte algo 
qualquer palavra obsoleta cairá no vazio
já ninguém escuta a vibração do silêncio 
as vezes nem mesmo a ausência 
nos fará escutar aquele que se foi
há dias que nem mesmo nos escutamos
como quando a música deixa de tocar 
nossos obsoletos corações 
como quando qualquer poema deixa de nos tocar
como quando temos a certeza da morte
que ela já nos bate na porta
e a qualquer momento pode nos levar
como quando se ri 
daquele que quer nos matar sem piedade
um riso leve, solto, inútil
e o mundo continua a girar



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Poema da menina sem face

200º Desafio Poético com Imagens da Tânia Contreiras - IV Ano 
 Arte: Susana Blasco 

 Poema da menina sem face 

quando tiraram minha face 
e penduraram minhas as fotografias nas paredes
olhos, ouvidos, boca, seios, coxas, bunda
fragmentaram-me em pedaços suspensos no ar 
foi então que descobri: 
nada disso me define, nada disso sou
e ser é muito mais além
foi a partir desse dia que sem face andei por aí 
sorrio não na boca, não nos lábios 
mas durante o meu caminhar 
passo após passo além 
choro quando 
inconsciente estou 
além sou


*

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Poema nadificado



a abraçar a inutilidade das coisas 
ser tão inútil como tenho sido 
a cantar com os passarinhos 
e não fazer diferença nenhuma 
a não me importar absolutamente 
nessas coisas sem destino 
destinadas a não serem
jogo-as ao vento 
das coisas sem conserto 
como esse coração despedaçado 
nesse grande nada a nos envolver 
em eterno delírio 
delírio de uma dança de nadas em nadas 
das quinquilharias a sorrirem 
esses indecifráveis vazios 
que nem a borracha saberá desdizer


*


Escrito para o desafio do grupo Delírios Poesia e Arte cujo tema é "Inutilidades, quinquilharias e vários nadas".


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Poema para Carmen Silvia Presotto

(Carmen Silvia Presotto)

Poema para Carmen Silvia Pressotto

a vida é fio tênue de esperança
a morte logo nos bate a porta assim tão de repente
e para outra dimensão vamos
caminhar, poemar, trabalhar,
a brincar de amar os diversos caminhos
que a vida, a morte, a infinitude nos apresenta
a morte do corpo não é a morte da alma
que a luz te guie sempre poeta
e que a tua poesia nos guie agora
sob a escuridão te leio
te lerei sempre!
Evoé!

que tua poesia faça morada em nós
e todos os pássaros versados em vida
te acompanhem sempre
revoem teu ser da luz que é
Evoé!*

*expressão dita sempre pela poeta