devo parar de mesquinharias
a enfeitar o silêncio com palavras bonitas
beijar tudo aquilo que me resta
aquelas lembranças traiçoeiras
devo aprender a esquecer de vez em quando
o bonde a andar sozinho
alguns versos tem que aprender a se virar
na estrofe até transformar-se poema
seguido pela mutação dos sonhos
ao revisitar a pele do desconhecimento
devo me desapegar das idéias
e ficar só com a essência daquilo
a não esquecer do vôo das borboletas
que o que importa estará sempre
escondido em um pedacinho
de ínfima infinitude a bailar
num pontinho de pupila
em redemoinho primevo
até multiplicar redemoinhos em toda parte
e então ser universo
aquele nada a dançar
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