Música!

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Poema de orvalho em flor

(Foto de Luiza Maciel Nogueira)


orvalho em flor amor
gota a gota escorre pelo tempo
derrama seu pranto sob o mundo
na grama, antes atinge seu ápice a voar
ao virar vapor em flor e leve se elevar
pássaro no céu da nuvem do tempo 
ao crescer, ao escurecer, ao se envolver
e ao cair se espalha 
gota a gota num pedaço de chão, 
na estrada, no corpo, numa flor, no coração
numa pequena poça de água do mundo
ao se misturar se une
e ao se unir nutre a terra 
num pedaço ínfimo de infinitude
gota a gota, passo a passo
tudo é em lento compasso
gota a gota, passo a passo
eleva, derrama, espalha e une
gota a gota, passo a passo
lança seu lume no espaço
na escuridão espera, escuta
o próximo compasso
não demore a voar
abra as asas para se elevar
derrame seu pranto ao se esvair
em ciclo infinito de silente ir e vir

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Poema aos teus pés II

(imagem do google)

o sussurro continua intacto
"abra a porta e me abrace"
as árvores, o céu, o mar, a terra, a natureza te diz
"abra a porta e me abrace"
mais uma vez 
junto aos cantos dos pássaros lá fora
essa oração vigora
"abra a porta e me abrace"
ela te chama e você caminha
passo após passo a deixa entrar devagarinho
e então começas a sonhar a vida que te espera
vês que a dança continua
o canto é claro e cristalino
as coisas todas cá estão
tempo vem, tempo vai
é aprender a deixar entrar
o canto dos pássaros que faz cócegas nos ouvidos
o vento que nos toca os sentidos
é pegar os pássaros de dentro para voar junto
misturar-se no ar para fluir
sentir o sol a brilhar
os lagos, os rios, o mar


*

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

é tempo

é tempo
de guardar na boca
a estrela que brilha
a palavra que sonha
o tempo sem tempo
de adeus

é tempo
de silenciar para escutar
o sussurro que canta baixinho
de observar a dança devagarinho
das coisas que nascem 
num contínuo sempre

é tempo
de aprender a nascer 
pela estrela brilhar
e no cosmos contínuo
girar



*

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Poema aos teus pés

urge a palavra sair da boca
para o silêncio anoitecer dentro de nós
urge um tempo sem tempo
a voar sob nosso pressentimento
urge o verso seco, úmido início
aos teus pés
urge a vida na batida do coração
“abra a porta e me abrace”
ela te diz enquanto pensas ao observar o celular
que poderiam te abrir todos os mistérios
a decifrar a vida na palma das tuas mãos
“abra a porta e me abrace”
ela te sussurra mais uma vez
e de repente a poesia passa
sem perceberes, 
sem encantares, 
sem dançares com ela 
nesse abraço singelo
“abra a porta e me abrace”
esquecemos dessa prece
do coração a bater 

e dentro de nós escurece   


*

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Historinha


Era uma vez uma menina que aprendeu a se esconder tão bem mas tão bem que nunca mais ninguém a encontrou. E nunca mais ninguém a tendo encontrado nunca mais também se encontrou. Assim embora tenha aprendido a se esconder, desaprendera a se encontrar e por inúmeros motivos que não vem ao caso permaneceu em seu casulo. Mas o casulo estava em uma região muito conhecida o que foi impossível se esconder ou encontrava outro lugar para ir morar ou teria que se ver, se ver era se deparar com os outros e com um outro que não queria mais ver. Ele que insistia em habitar sua casa sem querer. O próprio desconhecido que aquele dia se revelou um completo imbecil. E depois? Depois quem era mesmo imbecil era o outro, outro, outro aquele que começou a história besta e não teve a coragem de terminar...

*

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Poema de significar ínfimos

(Estudos da Isabelinha e suas amigas no Ballet - Luiza Maciel)


esperei aquele gesto de tanto zelo e cuidado
significar um universo
universifiquei o que me coube
no pedacinho de pupila que encontrei
tem gente que não sente o valor de um pequeno afeto
eu que sempre fui de derreter
pelos mínimos gestos
chorei todo o pranto que podia
para universificar um mar
as pequenas sombras da cadeira
anunciavam a poesia
leve, passageira e sempre aprendiz
mora no encontro
  quando a sombra do verso
se torna tua
  na tentativa de espalhar ternura
te espelhei


*



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Poema do redemoinho a girar

devo parar de mesquinharias
a enfeitar o silêncio com palavras bonitas
beijar tudo aquilo que me resta
aquelas lembranças traiçoeiras
devo aprender a esquecer de vez em quando
o bonde a andar sozinho
alguns versos tem que aprender a se virar
na estrofe até transformar-se poema 
seguido pela mutação dos sonhos
ao revisitar a pele do desconhecimento
devo me desapegar das idéias 
e ficar só com a essência daquilo
a não esquecer do vôo das borboletas
que o que importa estará sempre
escondido em um pedacinho 
de ínfima infinitude a bailar
num pontinho de pupila
em redemoinho primevo
até multiplicar redemoinhos em toda parte
e então ser universo 
aquele nada a dançar

*


















sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Passarinho no ar

passarinho no ar
estive a escutar as coisas mais lindas que deixastes por aí
passarinho no ar, voa voa sem voltar
o céu é grande e maior ainda é o teu sorriso
passarinho no ar, voa voa para continuar a versar
poema teu destino, espalha teu pranto,
tua alegria, teu desejo, teu amor
na contínua poesia da vida
eu colho teus versos no coração
dia vai dia vem cada dia de um jeito
escuto novamente e então ouço
o que nunca ouvi
que aqui bate agora timidamente
não te digo
mas bate aqui agora...
como se nunca batera antes
numa sinfonia de liberdade
passarinho no ar, voa voa
canta até se esbaldar
que o canto que encanta
guardo no canto que me espanta
revoa até espalhar
o canto que no canto teve seu entretanto
e agora é mesmo esse tanto
nesse enquanto...



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Passarinhar (para ler a cantar com um sorriso)


o amor persiste quando insiste
em amar até amor ser
que amar é não deixar
o amor morrer
o amor persiste quando insiste
em amar até amor virar
e amar é mesmo
deixar fluir, o sangue correr
a lágrima cair
a vida nos levar para onde quer ir 
e amar é mesmo
aprender a ser simplesmente
aquilo que se é
sem querer prender o ser
será...
e não importa o que dizem
não importa o que pensam
importa sim
ser mais dentro
e é mesmo um eterno aprender
deixar ir aquilo que vai
e abraçar aquilo que vem
nessa estrada
é percorrer, é caminhar
é aprender a voar
simplesmente
sem pesar


Poema para o amor durar

minhas bençãos
seja feliz
ame até o último segundo
e por favor não deixe 
a poesia escapar-te pelos dedos
ela merece 
que toda flor floresce
ao amor quanto errefece
depois que a chama se apaga
a fumaça se estende
o brilho do fogo permanece dentro
quando o amor tem feito
a ternura é maior e o vôo continua
no espaço, além
onde a poesia é bela também
e os pássaros voam
em sorrisos atravessam
toda tristeza se converte em pureza
toda onda se propaga
no canto que se apaga
onde nem mágoa existe
o amor persiste


Vivo a esperar

vivo a esperar
o dia se acabar em um sorriso
que deixe o mundo mais leve
e nos faça rodopiar de alegria
a dançar pela cidade
até tontear a verdade
e tudo mais ser
assim sem tanto pesar
assim sem tanto esperar
assim vivo a enganar
realidade...
mas se é verdade
eu pulo essa fase
mentira...
embriagar a solidão
até duvidar do coração 
que esse não nos pule pra fora
ou se contente em ser
batida 
que bate no peito
sem tempo sem jeito
e quer um dia ser mais
harmonia

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

poeminha cego

sem palavras
para onde iremos quando
o caminho estreitar?
e o que o tempo quer de mim
que tantas voltas dá no mesmo lugar?
ou será que eu só enxergo
a parte que me cabe enxergar?
eu, você e esse luar
você só pra mim nesse lugar
e o silêncio?
ah o silêncio...
é aprender a escutar

*

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Semente de Moringa

(semente de Moringa - imagem do Mercado Livre)

ultimamente o tempo tem me dito 
para te oferecer uma semente de Moringa
sabe a vida deixa de pesar nos ombros
e é possível fluir
deixar tudo ser o que é, o que são, o que somos
para ser também junto inteiramente ainda incompleto
e é assim que somos juntos
te convido a experimentar
uma semente de Moringa
da árvore da vida na barriga


*tem no Mercado Livre e não eu não vendo, só recomendo (é só procurar)

Um cheiro!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Da inútil fuga

eu peco pelo excesso de palavras
mas aprendi a abominar o silêncio 
desde cedo
não vou com a cara daquele filho da mãe 
silêncio o caramba
tudo menos aquele imbecil
que não sabe falar
que me fita descarado, tarado
não sabe falar não nem sim nem talvez
vai olhar a mãe 
para de me encher o saco
vai ver se eu tô na esquina
e ele ali continua intacto
como se fosse o dono do mundo
eu não aprendi a escutar esse fdp
mistério então nem morta
vai fazer suspense pra tua mãe
duplo sinal? tô fora!
indireta? Vai passear!
preciso de barulho
e olha ele aí de novo
como se fosse dono do pedaço
entra onde não é convidado
e encerra esse poema
o filho da mãe
...


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Poema da rosa em prosa

201º Desafio Poético com Imagens Tânia Regina Contreiras - IV Ano: 

Poema da rosa em prosa

rosa em prosa
cai a noite e entrosa
no fogo, na chama
a labareda inflama
despetala, alquimia
gama em poesia
rosa do peito
versa sem jeito
rosa em brasa
rosa incendiada
arde em chamas
lava a estrada
no fogo da madrugada
lava e gama
naquele que te ama


sábado, 30 de setembro de 2017

Poema para preencher algum vazio

não que eu seja alguém
e essas palavras possam significar algo
ou quem sabe preencher algum vazio
caído já no esquecimento de qualquer abismo
mas tu sabes da minha ternura
já te disse muitas vezes
e infelizmente essa ainda me consome
desde acordada até a hora de dormir
por ti meu mundo gira
ultimamente não tenho te dito muito
o silêncio tem sido meu cobertor
as palavras tem sido escassas
mas estou sempre aqui sem que me vejas
sem que me saibas
em silêncio te amo
sempre que posso mando-te um pedaço de mim 
para cobrir-te nas noites frias 
ainda que seja insuficiente
é tudo que tenho para te oferecer
meu coração despedaçado 
não me permite te perder
ainda que eu nunca tenha te encontrado
ainda que nunca tenhas me amado


*

Poema a sorrir para a morte



estive a pensar na necessária distância 
daquilo que quer se separar de nós
e apesar de não querermos essa separação 
de nos agarrarmos ao vazio, ao inútil, ao nada
é preciso deixa-lo ir de tempos em tempos
e de tempos em tempos nos despedir
ainda que as palavras não se bastem
para comunicar o intraduzível 
e nossa presença já não resulte algo 
qualquer palavra obsoleta cairá no vazio
já ninguém escuta a vibração do silêncio 
as vezes nem mesmo a ausência 
nos fará escutar aquele que se foi
há dias que nem mesmo nos escutamos
como quando a música deixa de tocar 
nossos obsoletos corações 
como quando qualquer poema deixa de nos tocar
como quando temos a certeza da morte
que ela já nos bate na porta
e a qualquer momento pode nos levar
como quando se ri 
daquele que quer nos matar sem piedade
um riso leve, solto, inútil
e o mundo continua a girar



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Poema da menina sem face

200º Desafio Poético com Imagens da Tânia Contreiras - IV Ano 
 Arte: Susana Blasco 

 Poema da menina sem face 

quando tiraram minha face 
e penduraram minhas as fotografias nas paredes
olhos, ouvidos, boca, seios, coxas, bunda
fragmentaram-me em pedaços suspensos no ar 
foi então que descobri: 
nada disso me define, nada disso sou
e ser é muito mais além
foi a partir desse dia que sem face andei por aí 
sorrio não na boca, não nos lábios 
mas durante o meu caminhar 
passo após passo além 
choro quando 
inconsciente estou 
além sou


*

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Poema nadificado



a abraçar a inutilidade das coisas 
ser tão inútil como tenho sido 
a cantar com os passarinhos 
e não fazer diferença nenhuma 
a não me importar absolutamente 
nessas coisas sem destino 
destinadas a não serem
jogo-as ao vento 
das coisas sem conserto 
como esse coração despedaçado 
nesse grande nada a nos envolver 
em eterno delírio 
delírio de uma dança de nadas em nadas 
das quinquilharias a sorrirem 
esses indecifráveis vazios 
que nem a borracha saberá desdizer


*


Escrito para o desafio do grupo Delírios Poesia e Arte cujo tema é "Inutilidades, quinquilharias e vários nadas".