Música!

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quinta-feira, 22 de março de 2018

estive a pensar...


estive a pensar
no quanto é um desperdício
nossas peles distantes
nossos rios poluídos 
nossas crianças carentes
nossos sonhos esmagados
nossa vida carregada pelo vento 
assim sem mais nem menos ternura

estive a pensar 
no teu sorriso quando acordas
e a pensar também na saudade
daquele tempo onde o tempo
era lento e por não sabermos de nada
apenas sentíamos as coisas nos tocarem
assim livremente

estive a pensar no quanto
desaprendemos a não saber
a sentir, a amar, a ser
estive a pensar na dança
dessas coisas descontentes
que precisam as vezes serem 
empurradas a um abismo
para aprenderem a voar

estive a pensar...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão

Poema e imagem feito para um desafio de Tânia Regina Contreiras - tema é "Daquilo que só se enxerga na escuridão":

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão 

Manto negro.
A melancolia a lacrimejar pelo tempo.
Saudades dos nadas a dançarem sob os olhos.
Agora marejados de sangue
da multidão que se ergue sangrenta.
Caminham pelos bandos de cadáveres
a soterrarem absurdos indigestos
na mente dos outros
que só seguem o bando
sem saberem que vivem
sem saberem que sangram
sem saberem escravos
de uma podre ilusão.

Manto negro descortina num repente
e os ratos surgem dementes
a devorar as gentes que ainda vivem.
Uma menina ao ser devorada pela vida
alimenta o sonho de ser livre
canta ela sua última canção
para toda a multidão que sangra
encoraja todos a cantarem juntos
canta a multidão ao sangrar.

Manto negro
e a violência segue seu percurso...
Manto negro ou rubro
de sangue nos olhos
de sangue nos sonhos
de sangue no sangue
a jorrar mais sangue...

Luiza Maciel Nogueira




terça-feira, 6 de março de 2018

Poema de quando o silêncio se torna macio


o silêncio se tornou macio
a palavra vazia
diante do mundo lotado
de poesia dançante
não mais me espernearei
para que sintas a poesia
ela estará sempre por aí...
e não importa quantas vezes
gritei por não escutar
que poesia é também silêncio
é lágrima, é pus, é dor
redemoinho de dentro que gira
redemoinho lá fora que roda
dentro fora, fora dentro
como se a poesia nos fizesse ser semente
que quer crescer, que quer sonhar
que quer voar e não pode
ou pode mas só com a ajuda de um pássaro
que nos leva pelo bico
até nossa casa
e nos joga na terra para criarmos raízes
onde daremos fruto, flor, cor
coragem para crescer
diante de qualquer temporal
quando o silêncio se torna macio
já nada mais, nada a mais
só menos
só!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Poema sobre esse silêncio

esse silêncio
nobre silêncio, pobre silêncio
um dia a gente aprende a escutá-lo
sem tanta dor
sem cio e sem flor
só com amor
essa ternura em flor
a despetalar
sem nem mesmo resistir
assim será
só silêncio
apenas silêncio
sem fantasmas a nos espreitar
sem torturas a acontecer
só silêncio
apenas silêncio
nobre silêncio
a cultivar
e ao amor deixar
nascer!

!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ode ao Silêncio de uma Alma

(Releitura do poema de Natal de Vinicius de Moraes)

Poema após Oficina com o grande mestre, escritor e poeta Jose Couto:
Ode ao Silêncio de uma Alma fale tudo se quiser e se não quiser digas nada nunca fiz tanto amor com o silêncio o silêncio acaricia, beijos de silêncio brisas gentis nunca o silêncio foi tão luminoso tal qual quando imerso ou submerso no teu mundo lindo e cheio de graça singelo que abraça me ofereceu esse céu cheio de estrelas e pássaros noturnos voando nas asas das estrelas desde esse dia escuto o eco silencioso de seu canto é nesse momento que o silêncio nos beija os olhos e as palavras já não dizem tanto o silêncio nos abraça as orelhas, a pele, o tempo e nada mais importa desde que sorrias quando olhares o firmamento lá sempre dançam infinitudes e o doce silêncio nos aguarda repleto de imensidões assim é a alma de alguns doce estrada de percorrer sonhos Luiza Maciel Nogueira *

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Poeminha Zen

independente de tudo
sempre estarei contigo
você sempre estará comigo
e não importa
não importa
não importa




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poema para fermentar silêncios 

nada a dizer

absolutamente nada a dizer

que o silêncio fermente no vazio

absolutamente 

aquela lágrima a se transformar em diamante

o silêncio a se transmutar em presença 

e a presença ao tocar nos olhos seja

ternura infinda


*