Música!

...

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Poema de profundo cansaço

abri a porta 
deixei entrarem os pássaros 
aqueles que quiseram entrar 
alguns fizeram carnificina, 
outros lançaram seus cantos
entretanto cansei!
estou velha para pássaros
é a minha vez de voar
apesar do cansaço
vou voar
não me impeçam 
não tenho asas
talvez caia
talvez morra
talvez nasça outra vez
em outro corpo
com asas
quem sabe
e então voar
cair e cantar
percorrer o céu 
sem rastejar
e ser este meu pássaro preferido
o Urubu
limpar a cidade de toda carcaça
feio, fedido e nojento para a maioria
mas essencialmente transcendental


*imagem google

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Porque algumas palavras são inúteis e outras nem tanto


por mais que se queira dizer
algumas palavras são inúteis para serem ditas
aquele restinho de sol na janela
vale mais que qualquer palavra
mas ai de nós os sem palavras
a sufocar no silêncio todos os diálogos da vida
tem que ter um meio termo eu sei
não gosto tanto assim de não dizer
das coisas que desaprendi a escrever
deve ser porque agora nasce uma nova palavra
o Sol agora nasce na palavra sol
o silêncio é o Sol escrito na pele da palavra
e a pele da palavra é o corpo de quem lê
Sol
Sol
Sol
Sol são os teus olhos...


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Gif inspirado no Poema de Natal do Vinicius de Moraes


via GIPHY

Muito muito tempo faz que eu visualizei essa animação, estou muito feliz que estou conseguindo realizar algo que eu visualizei umas décadas atrás! É possível! Sim, é possível animar um sonho! 

*

quarta-feira, 20 de junho de 2018

a gente gira


via GIPHY

(a imagem é meu primeiro gif!!!!!!!!!)

a gente gira
às vezes de alegria
outras de tristeza
algumas de desespero
outras de pressa
de ansiedade
de raiva
de amor
e a gente gira de vontade
de liberdade
de paixão
a gente gira
não importa como
não importa porque
o importante meu bem
é girar!

*

terça-feira, 19 de junho de 2018

Poema de uma coisinha à toa


quem sabe a vida não te presenteie
com essas coisinhas à toa
um livro, uma flor, um poema, um filho
um pássaro, um perfume, uma nota apenas
quem sabe assim não sorrias mais ainda
e faças do teu mundo a poesia mais bonita
quem sabe assim sem mais
não possas caminhar tão leve e solto
tal qual quanto o silêncio
te residas, te carregue, te tome, te possuas
de sorrisos cheios de amor,
e brincadeiras de nuvens em sonhos
quem sabe assim não possas esperançar uma poesia
tão vívida, tão bela 
tal qual o amor por um serzinho desses
que dão muito trabalho, 
mas que valem toda uma vida 
de alegrias infinitas
esses serzinhos que cabem nos nossos braços
e que fazem da vida valer 
cada segundo
mas não se engane pois dão um trabalho imenso
e é preciso muita doação para dar asas ao coração
e até o coração aprender a voar
exige toda uma escola de vida 
e esses serzinhos
em um segundo te mostrarão 
todo um mundo



*
Gestação: quando um coração canta e é envolvido em aura de música e luz
(2013)
Luiza Maciel Nogueira


terça-feira, 12 de junho de 2018

O Unicórnio do Sul e Outras Lendas Poéticas

Não ando postando muito por aqui pois estou na construção de um livro maravilhoso de um poeta espetacular. 
A seguir a capa do livro que muito em breve será lançado:


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Prece de silêncio mutável

de todas as cantorias dos pássaros
de todos os sons dos ventos
de todos os sons das chuvas
de todas as palavras ditas com amor
de todo canto do fundo do peito cantado
de toda verdade essência música poesia
de todo som da verdade
entrego ao som maior do silêncio
que qualquer palavra que digas aqui
e que qualquer palavra que leias 
possa reverberar em pranto os entre tantos
que um dia foram tantos 
e que hoje é canto 
que o amor sabe onde 
o silêncio nos sabe mais 
que qualquer palavra
e que apesar de toda errância
a palavra nos possa ser sempre: 
semente cristalina
diamante
em constante terna e eterna 
mutação


*

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A razão de um poema

a razão de um poema 
não é somar a origem das estrelas
muito menos relatar a equação da luz
a razão de um poema nada tem a ver 
com explicar a palavra que surge neste repente inexplicável 
um poema não tem razão 
ele é composto de absurdos desde o início 
talvez quem escreva anseie um alvoroço 
em quem pousa os olhos nas palavras
e talvez quem escreva apenas queira inquietar-se 
talvez também nada queira quem escreve
nem mesmo o leitor saberá 
o que tal escritor quer com tais palavras
um poema muitas vezes não tem razão mas pode ter sonhos
não sempre pois dependerá de quem sonha
se sonha pássaros, borboletas ou explosões dançantes, 
paralelepípedos nos corpos falantes
e se não sonhar o leitor? caso não sonhe o leitor
como então injetar uma metamorfose?
indiretamente desapercebida como quem não quer nada 
um escritor pode lançar sementes
como qualquer pessoa pode plantar sorrisos nos lábios dos outros
às vezes tal sonho demora décadas até florir
e quase sempre não basta apenas um poema
para o despertar da semente em flores de sorrisos
quase sempre nem um milhão de palavras
a beijar os olhos de tal leitor o fará sorrir
mas de vez em nunca milagres acontecem
uma curvinha bonitinha se torna possível
e entre escritores e leitores
um sonho poderá nascer

*


terça-feira, 22 de maio de 2018

Quem sabe qualquer dia

quem sabe qualquer dia 
não nos ensinem a linguagem do silêncio
dos pássaros, dos ventos, da chuva, 
das árvores, do mar, dos rios,
das estrelas, do sol, da lua, 
da vida, do tempo, da infinitude
assim sem mais
aí sim talvez a distância 
não nos seria distância
mas sentimento que vibra, pulsa e dança
e qualquer drama se dissolveria 
na oração dos pássaros, no assovio dos ventos, 
no som dos pingos da chuva, 
no canto das ondas, dos rios, 
das estrelas, do sol, da lua,
enfim da vida, do tempo, da infinitude
talvez aí sim, apenas talvez
nossa língua despertasse os corações
à espera da verdade



*

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Relato sobre o silêncio e a poesia:

Poesia
Luiza Maciel Nogueira
(Nanquim sob papel)


Relato sobre o silêncio e a poesia:

I.
quando a poesia 
encontra o silêncio

quando o silêncio
encontra a poesia

: nasce a música

quando a música 
encontra um destino

: nasce um repente
que de repente se vai

(...)
Luiza Maciel Nogueira

quando a poesia
de repente se vai

leva consigo a alma
o papel pede histórias

: nasce a prosa

quando a prosa 
flui etérea ritmada

com linguagem surpreendente
traz de volta a poesia

: nasce a prosopopeia

(...)

Jose Couto

Quando a poesia
Se cala se emudece

Leva consigo a alma
O corpo se esquece

: nasce a onomatopeia

Quando o som é sentido
O prazer de um gemido

Leva em si a beleza
Libera a poesia presa

: nasce a contemplação

(...)

Manoel Gonçalves Manogon

Reveste-se de Luz

Traz em si toda clara essência
Esculpida nos recônditos.

O silêncio que emana
Transcende a alma

Então o poeta se desnuda
Como uma primavera...

: nasce assim outra estação

(...)

José Regi




Poesia
Luiza Maciel Nogueira
(Nanquim sob papel)

II.

a poesia corre
demasiado depressa
depressa
não paremos de sorver
cada silêncio
como nosso último beijo
às vezes confesso
contemplo os teus passos
mas prometo
só dura um segundo
até beijar o chão
debaixo dos meus pés
e seguir esse passo a passo
rumo ao infinito


(...)
Luiza Maciel Nogueira





O infinito são todas as possibilidades que dispomos
Neste nada contuso que se soma.
A esperança de ver chegar aquele amor
Que marcou como cicatriz
E que por medo de viver sorveu em saudade.
A saudade dorida
No gosto daquele beijo solitário
Ainda morno na boca Faz eriçar a pele.
A mesma pele que um dia tocaste
Com minúcias de eternidade
Durante os instantes apressados na hora de ir...
José Regi




III.



quero um silêncio

regado a poesia

um gole de música

breve

onde possa banhar

a saudade

daquele pedaço 

de esperança

que pelas entranhas

ainda dança

por não saber
te esquecer


(...)
Luiza Maciel Nogueira

*




IV.

sorvi nos lábios o silêncio da poesia
que pela garganta se foi

como nutrir um exército de poetas?
te pergunto
e fazer com que todos despertem?
te questiono

: deste sono sem cor
vai poeta cantar!


(...)
Luiza Maciel Nogueira


*


V.

cantar a poesia de todos os jeitos
reinventar as cores dos versos,
os tons desses ventos incertos
bagunçar as palavras errantes pelas linhas
te procurar, te perder e te encontrar sem nem te avisar
sem te dizer do silêncio que paira
sem te sussurrar baixinho a música
que atravessa os tempos
esquecer de te esquecer para sempre
porque a poesia essa sim
a poesia é flor do tempo que se abre
ao despetalar
onde o pensamento não consegue
alcançar


(...)
Luiza Maciel Nogueira

sexta-feira, 20 de abril de 2018

venho a invocar a palavra amor

venho a invocar a palavra amor
de todos os mares, de todas as flores
de todos os silêncios, de todas as músicas
dentro das conchas, dentro das cavernas
dentro do sangue, dentro da pele
de toda esperança que dança nos ares
venho a invocar a força do amor
dos ventos, dos tempos e dos raios solares
a arrancar cada uma das ervas daninhas
que estão paradas como parasitas
a impedir ao amor que se espalhe
venho a invocar a palavra amor
não de qualquer amor nem de qualquer jeito
não superficialmente, nem da boca pra fora
venho a invocar a palavra amor
para que ecoe eternamente dentro de ti
uma nova revolução
um novo sonho
um novo olhar



terça-feira, 17 de abril de 2018

Poema para ler mais poesia


Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia 
não insistiu em te beijar.
Pelas palavras de todos os poetas
que quiseram te dizer 
verdadeiras belezas repletas.
Dos mais absurdos versos
de ternuras acesas nesse mar aberto.

Nunca houve um dia meu amor
no qual a poesia deixou de te amar!
Abra os olhos e veja
a cidade está lotada de beijos
de poetas, de livros, de palavras
que querem desesperadamente 
te encontrar!
Nunca houve um dia meu amor
apesar de olhares para outros entretantos
cantos escuros, abismos, 
profundezas de enquantos 
saladas de blá blá blás...
Nunca houve um dia meu amor.
Por isso leia mais poesia por favor.
Nunca houve um só dia meu amor
que a poesia não quis te abraçar
e com seus braços de versos 
te amar...
Luiza Maciel Nogueira

Para todos os poetas e alguns cá se encontram. Não vou citar nomes porque certamente me esqueceria de alguém. Mas vocês sabem quem são ❤️!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

cada uma

por Luiza Maciel Nogueira 

cada uma das tuas
nuas falsas modestas farsas
não tuas nem minhas
nem nossas nem meias
nem inteiras nem futuras
nem passadas nem presentes
nem nada nem todas

cada uma das tuas
a superarem 
as outras em matéria
de espanto

que em matéria de amor
é nada


*

quinta-feira, 29 de março de 2018

Poema para os olhos de quem já chorou demais

Os olhos de quem já chorou demais
abrem as portas do desassossego.
Tanto amor apunhalado e ainda
com a coragem de amar mais.
Sem tanta espera. 
É que ela já não te espera. 
Espero que não a espere
pois que ela já não te espera
na alegria não te espera
na noite fria não te espera
na fantasia não te espera.
Te espera nunca mais.

Luiza Maciel Nogueira




quinta-feira, 22 de março de 2018

estive a pensar...


estive a pensar
no quanto é um desperdício
nossas peles distantes
nossos rios poluídos 
nossas crianças carentes
nossos sonhos esmagados
nossa vida carregada pelo vento 
assim sem mais nem menos ternura

estive a pensar 
no teu sorriso quando acordas
e a pensar também na saudade
daquele tempo onde o tempo
era lento e por não sabermos de nada
apenas sentíamos as coisas nos tocarem
assim livremente

estive a pensar no quanto
desaprendemos a não saber
a sentir, a amar, a ser
estive a pensar na dança
dessas coisas descontentes
que precisam as vezes serem 
empurradas a um abismo
para aprenderem a voar

estive a pensar...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão

Poema e imagem feito para um desafio de Tânia Regina Contreiras - tema é "Daquilo que só se enxerga na escuridão":

Poema daquilo que só se enxerga na escuridão 

Manto negro.
A melancolia a lacrimejar pelo tempo.
Saudades dos nadas a dançarem sob os olhos.
Agora marejados de sangue
da multidão que se ergue sangrenta.
Caminham pelos bandos de cadáveres
a soterrarem absurdos indigestos
na mente dos outros
que só seguem o bando
sem saberem que vivem
sem saberem que sangram
sem saberem escravos
de uma podre ilusão.

Manto negro descortina num repente
e os ratos surgem dementes
a devorar as gentes que ainda vivem.
Uma menina ao ser devorada pela vida
alimenta o sonho de ser livre
canta ela sua última canção
para toda a multidão que sangra
encoraja todos a cantarem juntos
canta a multidão ao sangrar.

Manto negro
e a violência segue seu percurso...
Manto negro ou rubro
de sangue nos olhos
de sangue nos sonhos
de sangue no sangue
a jorrar mais sangue...

Luiza Maciel Nogueira




terça-feira, 6 de março de 2018

Poema de quando o silêncio se torna macio


o silêncio se tornou macio
a palavra vazia
diante do mundo lotado
de poesia dançante
não mais me espernearei
para que sintas a poesia
ela estará sempre por aí...
e não importa quantas vezes
gritei por não escutar
que poesia é também silêncio
é lágrima, é pus, é dor
redemoinho de dentro que gira
redemoinho lá fora que roda
dentro fora, fora dentro
como se a poesia nos fizesse ser semente
que quer crescer, que quer sonhar
que quer voar e não pode
ou pode mas só com a ajuda de um pássaro
que nos leva pelo bico
até nossa casa
e nos joga na terra para criarmos raízes
onde daremos fruto, flor, cor
coragem para crescer
diante de qualquer temporal
quando o silêncio se torna macio
já nada mais, nada a mais
só menos
só!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Poema sobre esse silêncio

esse silêncio
nobre silêncio, pobre silêncio
um dia a gente aprende a escutá-lo
sem tanta dor
sem cio e sem flor
só com amor
essa ternura em flor
a despetalar
sem nem mesmo resistir
assim será
só silêncio
apenas silêncio
sem fantasmas a nos espreitar
sem torturas a acontecer
só silêncio
apenas silêncio
nobre silêncio
a cultivar
e ao amor deixar
nascer!

!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ode ao Silêncio de uma Alma

(Releitura do poema de Natal de Vinicius de Moraes)

Poema após Oficina com o grande mestre, escritor e poeta Jose Couto:
Ode ao Silêncio de uma Alma fale tudo se quiser e se não quiser digas nada nunca fiz tanto amor com o silêncio o silêncio acaricia, beijos de silêncio brisas gentis nunca o silêncio foi tão luminoso tal qual quando imerso ou submerso no teu mundo lindo e cheio de graça singelo que abraça me ofereceu esse céu cheio de estrelas e pássaros noturnos voando nas asas das estrelas desde esse dia escuto o eco silencioso de seu canto é nesse momento que o silêncio nos beija os olhos e as palavras já não dizem tanto o silêncio nos abraça as orelhas, a pele, o tempo e nada mais importa desde que sorrias quando olhares o firmamento lá sempre dançam infinitudes e o doce silêncio nos aguarda repleto de imensidões assim é a alma de alguns doce estrada de percorrer sonhos Luiza Maciel Nogueira *

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Poeminha Zen

independente de tudo
sempre estarei contigo
você sempre estará comigo
e não importa
não importa
não importa