Música!

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poema de sangue em despedida

despeço o tempo do tempo
um convite já não adianta
a ferida aberta sangra
já se foi tempo demais 
feridas demais
hoje não te darei esperanças 
o meu desesperar canta
nosso sangue dança pela estrada
funde no tempo que se foi
junto com um tempo que nunca será
através do tempo que está
lacrimeja o tempo sem tempo
na gota da nossa infinitude
cante todas as músicas mesmo assim
e jamais pare amor
para que um dia depois de tanto cantar
alguém te escute
e como um beijo
alguém possa te amar e se perder
e que de tanto amor
o sol possa nascer

sábado, 19 de agosto de 2017

Poema da loucura dos espaços ocos


https://youtu.be/4GjrJ4NF5oU

Poema da loucura dos espaços ocos a loucura dos espaços ocos são deliciosamente infindos um buraco negro de versos qualquer palavra jogada voará sabe lá para onde fará sabe lá o que o mistério as abraçará a solidão as beijará a indiferença de uns será a ternurinha de outros nada sabemos desse destino naquele sorriso poderão existir rios, mares, cachoeiras de lágrimas naquela lágrima existirão inúmeros sorrisos os espaços ocos habitam mistérios indecifráveis pontos de interrogação hoje não me atrevo a tocar a brancura alva no alvo de te amar me atrevo a invadir a loucura de te sorrir nesse espaço sonho sorrisos a multiplicar paraísos nas profundezas desses mares te ofereço essa chuva de sangue em versos minhas veias teimam constelações espero sempre pelas estrelas brilharem ao contemplar a noite nesse buraco negro, nesse negro manto da noite, nessa oca infinitude brilham as estrelas a noite canta, a infinitude dança e tudo é esperança

por Luiza Maciel Nogueira Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mistério ante mistério

mistério ante mistério 
a poesia jorra fétida
do esgoto molha o asfalto
declama o verso que respinga
chuva que derrama
na cidade que incendeia
toda luz que finda
sua breve despedida
arde o encontro 
ao se desencontrar
que ao cantar silencia
e ao escrever apaga
toda lembrança que trança 
nesse vai e vem a dançar
e reatinge outro tempo
no sem tempo
de quem tece 
seu olhar

Foto: O silêncio canta seus mistérios. Escutas? XIX lado A
 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pouco de Drummond


(Estudo da Natureza para delirar uma pintura 
Luiza Maciel Nogueira)


Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A poesia salva?


193º Desafio de imagens da poeta Tânia Contreiras

A poesia salva?

A poesia salva?

A poesia é sal de mar 
a ondular na boca.
É o pó que me deixa louca.
É purpurina que acende 
a beleza daquilo que passa.
É pássaro que voa 
no coração que perdoa.
E deixa passar 
a fumaça da lágrima 
a sorrir no ar.
É rastro de amor que goteja.
E leve o sol, o raio, a luz
que acende na escuridão 
que transcende.
A poesia salva a esperança.
É ela que espera toda a dança
das palavras incendiarem 
lembranças...
Três pontinhos de ilusão...
poesia é silêncio que se germina
na lágrima que não se quer
derramar...

*


sábado, 5 de agosto de 2017

Poema do ovo na gaiola

192o Desafio poético com imagens da poeta Tânia Contreiras!

A imagem é uma pintura de Rene Magritte.


um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

um ovo em uma gaiola

nascemos em uma prisão

ninguém nos salva dessa gaiola

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da gaiola

é sonhar a liberdade

com uma porta aberta

para outra gaiola ir

ou imaginar que vamos 

para outras gaiolas

sem sabermos presos 

estamos dentro da mesma gaiola

aquela mesma que nascemos

ao nascer, ao crescer, ao morrer

continuamos dentro da mesma gaiola

e embora tentemos 

não é possível enfeitar a dor

de ser sempre um ovo 

preso dentro de sua íntima gaiola


Luiza Maciel Nogueira


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poema para delirar

Estudo da Natureza para delirar uma pintura V
Luíza Maciel Nogueira

já perdi as contas das tantas vezes 
que tentei te delirar versos 
das infinitudes que nos cercam
ainda hoje não sei se sabes
mas o mundo é muito maior
do que podemos imaginar
é muito pouco ainda aquilo que te digo
por isso só silencio quando não mais existir
o tempo é demasiado curto
para silêncios meu bem
eu quero um dia chegar pelo menos perto 
de delirar uma árvore inteira
ainda é demasiado pouco 
o que tenho para te ofertar
o mundo é muito maior 
do que podemos imaginar

Luiza Maciel Nogueira



Poema de muita educação

 
Foto: Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

certas notícias surgem a preto e branco
violências, assassinatos, injustiças e tanta tanta corrupção
é PM, judiciário, governo, eu, você e o universo inteiro
ninguém escapa dessa podridão
e fede entre aqueles que tentam a todo custo
se esconder atrás da negação
“eu não roubei nada só peguei emprestado,
afinal todos pegam só peguei por educação.”
e a história continua a Maria que vai com a outra Maria
que repete a educação da outra Maria
só por educação...

*

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Poema para dançar por aí

Estudos da natureza para delirar uma pintura
Luíza Maciel Nogueira

a cada vez que o vento com as folhas 
sussurram seu canto
um rio quer me cair na face
como chuva pingo a pingo
eu sinto aquele tempo 
onde os segundos deliravam com o vento
e os pássaros alucinavam suas canções 
ainda no tempo de brotar ternuras no ar
de prometer loucuras que nunca se faz
de arder de sonhos perdidos na praça 
das impossibilidades que todo poema jorra
nesses silêncios que já se foram
e que estão sempre por aí

(nessa dança de tanta 
toda infinitude)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Poema do canto da dança nos olhos

as folhas ao caírem da arvore
compõem a dança da poesia
em movimento
as crianças ao redor brincam
os pássaros voam
a infinitude canta logo ali
e também nos teus olhos 
canta a infinitude